sexta-feira, dezembro 19, 2008

Sobre o constrangimento nosso do amigo-secreto de cada ano

Amigo-secreto, todos nós sabemos, é sempre uma furada. Tira-se desafetos, quem te tirou não aparece e não há informações sobre o presente ou então você ganha algo muito desnecessário e é obrigado a fazer cena para agradecer. Nos eventos familiares, devido ao grande número de participantes, corre-se o risco de tirar alguém que passou a fazer parte do clã há duas semanas ou um indivíduo que nunca fez parte, mas é convidado para passar o Natal com o grupo, por caridade.

Apesar de todos os contras, quando chega dezembro, não sei o porquê, me bate uma vontade louca de entrar em todos os amigos-secretos para os quais me convidam. É, eu sempre tive tendência masoquista. Este ano, com a graça de Deus, estou participando de dois, porque os colegas de trabalho me fizeram o favor de promover um amigo-secreto restrito (só o pessoal da diagramação), então eu fiquei de fora, feliz por ter sido vetada (e salva!).

Já providenciei as lembrancinhas para o evento entre amigas e o familiar. Este último promete grandes emoções em 25 de dezembro, já que uma das minhas primas, muito espontânea, deixou vazar, na entrega dos papeizinhos, que não gostou muito do resultado. Então metade dos participantes, que flagraram a revelação, está morrendo de curiosidade. Todos loucos para que chegue o Natal de uma vez. Eu confesso que estou com medo. Se for a felizarda, espero estar com muito clericot na cabeça a esta hora, para apenas dar risada. Porque amigo-secreto é isso mesmo, constrangimento e fingimento (exceto o realizado entre amigas).

quarta-feira, dezembro 17, 2008

Chega mais, Noel


Caro Papai Noel,

Não sei se fui uma boa menina em 2008. Mas, como eu não sou má pessoa, certamente não provoquei grandes prejuízos à humanidade. Provavelmente tenha sido um pouco egoistinha. É. Talvez tenha brigado mais do que deveria com a minha irmã, com meu chefe, com o namorado. Só que não foram briiiiiiiiiigas homéricas, foram só umas "rosnadinhas". Bem, com a minha irmã foram mais do que rosnadas, mas entre família é assim mesmo que a coisa funciona. Irmão que não briga é um tédio, o senhor sabe. E muita paz faz mal à saúde.

Velhinho, eu chorei um bocado em 2008, principalmente quando passei um mês no Hemisfério Norte tentando entender o idioma que eles falam por lá. Não foi muito produtivo comer porcaria durante 30 dias. E gastei todo o dinheiro da poupança naquelas bandas, mais um bocado do dinheiro da mamãe, tão suado. Me senti egoisitinha. O bom foi que, sofrendo e exercitando o meu lado dramático-nacionalista-xenófobo, esgotei boa parte do estoque de lágrimas, então tenho chorado bem menos, até em épocas de TPM (o namorado agradece). Voltei um pouco adultinha, digamos.

Peço que, em 2009, eu não tenha que me preocupar nem gastar tanto com vazamentos, instalação de ar-condicionado ou conserto do juncker. Foi demais neste ano, o senhor há de convir comigo. Um vazamento no banheiro acabou levando do meu orçamento R$ 500. Consegui comer naquele mês, e olha que nem vendi o corpo. Poupe-me de situações como essa no próximo ano, please. Que os desafios econômicos se restrinjam aos mercados mundiais.



Noelito, estudei menos do que deveria neste ano que se acaba, mas tenho refletido muito sobre em qual curso de pós-graduação devo investir. Prometo concretizar algo em 2009. Eu só tenho 24 anos, vê se dá um desconto.

Agora, o que eu deixei a desejar mesmo foi no quesito "minha contribuição para mudar o mundo". No máximo eu fiz uns discursos por aí, NoelVelho. Ação? Nada. Uma vergonha. Então eu acho que é bem justo tu não caprichar no meu presente, me dar algo bem maisoumenos. Até porque eu ando irritada com essa história de que as pessoas vão gastar uma média de trocentos reais com os presentes de Natal. Economize no meu presente e fuja desta estatística mentirosa, por favor.

Nós dois sabemos que a maioria da população brasileira não tem trocentos reais para queimar em shopping nesta época do ano, aos empurrões e cotoveladas. Essas Câmaras de Dirigentes Lojistas e associações insistem em inventar número que os jornalistas usam em suas matérias mesmo sabendo que tudo não passa de enganação. Vamos lutar contra essa palhaçada, Noelzuco. Juntos.

Então é isso. Você pode me dar um presente meia-boca, porque eu não fiz nada de muito importante para o Planeta em 2008, mas também não me deixa a ver navios, porque eu também não causei grandes prejuízos à humanidade. Com isso a gente boicota as estatísticas, os shoppings e as empresas de cartão de crédito. E no ano-novo estaremos tranqüilos porque não alimentamos o sistema. De repente tomarei uma cidra barata, em uma praia chinela, sem roupa nova nem calcinha amarela! Porque, Noel, em 2009, eu quero simplicidade. Pensar menos em dinheiro e mais em gente. Gastar as minhas energias com o que realmente vale a pena.

Boas Festas e a gente se vê na semana que vem!

Débora Cruz (querendo revolução para 2009).

p.s. Ah, um emprego novo seria muito bem-vindo!


*na foto 1, da esquerda para a direita: Luciana e a boneca nova, meu irmão Júnior, Tio Jorge encarando o disfarce de Papai Noel, meu dindo sentado no chão e eu, acolhida por ele, segurando uma boneca de cabelos azuis, em um dos muitos Natais passados na casa-da-Vó-e-do-Vô.

*na foto 2, Débora Cruz aos 14 anos, fazendo pose junto a ursinhos de pelúcia natalinos em Gramado, faceira na excursão do colégio.

quinta-feira, dezembro 11, 2008

Então eu esperei 24 anos por um presente


É Natal. E de uns anos pra cá esta data tem mexido comigo. Não sei ao certo o motivo. Talvez seja o fato de que a celebração envolve família. E desde que passei a morar em Porto Alegre, o convívio ficou escasso. O coração volta e meia aperta quando penso nisso.

Meu sobrinho já é quase um homem (como eu exagero), meus pais já não têm a mesma vitalidade. Quando reencontro os tios, vejo que o número de cabelos brancos tem aumentado de forma considerável. E eu acompanho tão pouco, aqui, do outro lado do rio.

Bem, mas a questão é que o Natal deixa todo mundo meio sentimental, até quem nunca é sentimental. Hoje é dia 11 e eu já recebi dois presentes referentes à data! Um deles, de uma amiga especial, que é ansiosa e não agüentaria esperar até o dia 25; outro, do meu pai.

Ao visitá-lo no fim de semana, ele me chamou até o quarto, como se tivesse algum grande segredo para contar. Então buscou uma caixinha retangular, estampada com flores verdes e amarelas. Lá fui eu, curiosa. “Isso aqui é pra tu poder tomar chimarrão com uma bomba certa para o tamanho da cuia, pra não precisar ficar usando aquela tua, que é muito grande.”

Ganhei uma bomba de chimarrão linda, feita em ouro e prata, detalhe para o qual eu não ligo muito, mas que o meu pai acha vital. Achei curiosa a escolha dele: presentear-me justamente com algo que nem eu sabia que estava precisando.

Destaco: desde que me entendo por gente, não lembro de meu pai ter me dado algum presente. Sério. Só que eu nunca considerei isso um problema, porque sei que ele é desligado, que não se importa muito com Natal nem com presentes caros em datas criadas para nos levar à falência.

No entanto, admito: a bomba de chimarrão “feita sob medida” me tocou. E eu esperaria mais 24 anos pra ganhar algo tão bem escolhido, tão significativo e ao mesmo tempo tão simples. Natal emociona (tá, pode rir, vai).

quinta-feira, dezembro 04, 2008

Aqui, farroupilha!


No mês de setembro, andava eu pelas ruas e ônibus de Washington, D.C. (eu faço questão de escrever sempre D.C. porque não se trata do Estado de Washington, e sim da capital norte-americana, e eu acho que isso é uma informação importantíssima, embora quase ninguém concorde) a observar o povo e fazer comparações. Bem coisa de quem viajou duas vezes na vida. E um detalhe que eu notei de cara foi que lá as pessoas estão sempre com pressa, muito ocupadas, muito "busy", não têm tempo pra nada. Então é comum vê-las "carregando" o café-da-manhã no ônibus ou mesmo quando caminham pela rua.

Levam um copo de café (meio térmico, meio de isopor, sei lá), com tampa, na mão. Geralmente acabaram de comprar o produto em uma das muitas Starbucks (rede de cafés que é uma praga nos EUA, tem uma franquia a cada esquina) da cidade. Tamanho à la Super Size Me, tipo meio litro. Como eu gosto é de café preto na xícara, não me adaptei àquela água-suja-em-copo-de-plástico-tamanho-família. Mas o bom é que eu olhava para as pobres criaturas e pensava: daqui a pouco eu estarei no Brasil, então não vou precisar ver mais esta gente pálida tomando café fraco em copo gigante. Lembrava dos cafezinhos de padaria, dos de restaurante. O Brasil é lindo. Que saudade.

E aí, de volta a Porto Alegre, eu pego o Rio Branco/Anita (o que tenho feito duas vezes na semana, por sinal) e o que eu vejo? Uma passageira com um daqueles copos de café de plástico com tampinha. Não acreditei. E era do McDonald's o café, pra piorar. Olha, tudo tem limite, principalmente quando o assunto é café, produto brasileiro por excelência. Esta moda de levá-lo no ônibus em copo de plástico não pode pegar. É uma afronta. Eu pensei em falar para a moça do ônibus: "Tu sabe o que significa este copo aí? Tu sabe quantas porcarias os norte-americanos já nos empurraram e a gente saiu comprando? Já não bastam os filmes hollywoodianos? Os lixos da indústria fonográfica? Os reality shows e seriadinhos bestas? Os cremes da Victoria's Secret?".

Acabei ficando na minha, embora não engula essa história e continue com a certeza de que, às vezes, é saudável ser radical. Pra preservar o que é nosso. Pra não vender a alma. Pra dar às coisas, às pessoas (e ao país!) o valor que elas merecem. Café-da-manhã no McDonald's? Aqui, farroupilha!

quinta-feira, novembro 20, 2008

Será que eu sonhei?

O que a pessoa deve pensar quando está trabalhando, às 20h54min de uma quinta-feira, escrevendo uma nota sobre investimentos no combate à dengue no Brasil e no RS, e um desconhecido insiste em ligar, para o telefone comercial, ou seja, da redação, sendo que o único ruído possível de se escutar do outro lado da linha é uma espécie de karaokê: "Uma deusa, uma louca, uma feiticeira, meu Deus ela é demais"?

**seria uma nova estratégia das assessorias de imprensa para tentar emplacar uma pauta?

**leitor descornado?

**minha irmã fazendo pegadinha?

Não sei. Juro.

Vida é mel, dependendo da década


Não são poucos os momentos em que busco na memória o gosto do algodão-doce, tomada por saudade. O mesmo acontece com maçã-do-amor. Só que essas guloseimas-símbolo da infância e dos parquinhos geralmente não cumprem o que prometem quando se tenta ingeri-las na fase adulta. O estômago não suporta tanto açúcar misturado a anilina. As mãos não encontram jeito de permanecer limpas e tudo parece bem mais nojento do que inocente. Tem coisas que a gente não deveria fazer depois que cresce justamente para preservar o encantamento das lembranças.

quarta-feira, novembro 19, 2008

O cinza-chumbo interior


Tem dias em que a gente só deseja poder ficar jogado no sofá, travesseiro fofinho e edredon, trocar o canal da TV 329 vezes, dormir e acordar e dormir de novo. Trocar de canal mais uma vez. E pensar que o mundo gira sem a nossa presença ou participação. Que bom, já que o desejo maior é ficar ali, escondidinho, abafado, sozinho, quieto. Alienado.

Tem dias em que a gente só deseja poder desligar o cérebro por algumas horas, suspender preocupações com o futuro, que é incerto, todos sabem, mas quase ninguém encara isso de alma leve. A minha pesa, principalmente nos dias sem sol, com muita nuvem e breves chuviscos, pingos sem vontade. Nestes dias, parece que nem a chuva vinga. E é então que a gente só deseja se jogar no sofá, desligar o cérebro, dormir e acordar e dormir de novo. Pra de repente sonhar.

terça-feira, novembro 11, 2008

Gentilezas


Se antes achava quase uma grosseria quando você abria a porta do carro, agora enxergo nisso gentileza. E estou precisando de gentilezas. E de palavras doces ao pé-do-ouvido. E de promessas que dificilmente serão cumpridas. Declarações clichês feitas perante o pôr-do-sol, no fim da festa, nós dois caminhando na chuva, sentados no meio-fio como se o mundo não girasse, a tua mão na minha cintura. Mãos dadas, entrelaçadas, grudadas, suadas. Cafuné, qualquer bobagem e a gente ali. Um cachorro-quente e o meu copo vazio. Vem a noite, que é curta, a gente sabe. E bombons no dia seguinte, ou pão de queijo, iogurte, aquela torrada. Bilhetinhos com dizeres bregas, poemas batidos, planos de viagens. Leste Europeu, Cuba, Curitiba ou Pinhal. Juras bobas. Nós dois. Um só. E gentilezas.

sexta-feira, novembro 07, 2008

Vou defender a Luana Piovani



Sim, porque toda mulher passa pela fase eu-tava-sozinha-e-ficar-com-ele-até-que-não-era-tão-mal-então-resolvi-fingir-que-tinhamos-tudo-a-ver-e-podíamos-ser-felizes-só-que-no-final-ele-se-mostrou-mais-ogro-do-que-eu-podia-imaginar. Não condeno. Até porque ela, embora linda de morrer, tem mais de 30 anos, o instinto materno está batendo à porta, é azarada nos relacionamentos e quer ser feliz. Tentou, ao menos. E o Dado, mesmo sendo ogro na décima potência, convenhamos, é gato.
Só não precisava ter escrito algo como “mais uma vez, Deus me protegeu, ia casar com alguém que não conhecia” no que chama de “seu blog”. Menos, né, Lú.

quarta-feira, novembro 05, 2008

O Brasil nunca foi ao Brazil

Eu, em um ônibus pinga-pinga no trajeto Florianópolis-Porto Alegre, tentanto explicar a um londrino mochileiro que a vida na terra do samba não é festa o tempo todo:

- Vocês, brasileiros, não têm o hábito de fazer mochilão, né?
- Bem... é que, pra gente, isso é um tanto quanto caro.
- Pra gente também. Eu juntei dinheiro durante 11 meses pra fazer esta viagem!
- Só que, no Brasil, se você consegue juntar alguns trocados durante 11 meses (considerando um salário de jornalista com contas mensais a pagar), vai no máximo até Buenos Aires. É um pouco diferente, sabe...
- É mesmo?
- Sim.
- Mas o Brasil não é terceiro mundo. Ou é?
- [desisti]

quinta-feira, outubro 23, 2008

Porto Alegre é demais

Pego o Orfanatrófio, sentido Centro-bairro, às 17h40min de uma quinta-feira cinzenta. Todos os assentos estão ocupados. Alguns passageiros, em pé, se equilibram.
O cobrador lê Goethe.
(que momento, hein?)

quinta-feira, outubro 16, 2008

É você e ponto: sobre a delícia e a dor de viajar sozinha


Tiro uma foto em frente à Casa Branca e penso que o meu pai não está ali. Pena. Ele adoraria observar o esquema de segurança, comentaria a arma do policial, o modelo da viatura.

Passeio pelo Museu da Imprensa, entre pedaços do Muro de Berlim, destroços do World Trade Center, homenagens a repórteres que perderam a vida em nome da notícia, fotos que ganharam o Prêmio Pulitzer. Lembro dos amigos jornalistas, os que se formaram comigo, os que conheci no dia-a-dia da profissão, os que ainda aturam aulas na faculdade. Lembro do Guilherme, ele poderia passar um dia inteiro percorrendo os seis andares do Newseum.

Pego um ônibus pra Nova York. "Brincar" nas lojas, experimentar perfumes e maquiagens, andar-andar-andar e não comprar nada. Minha irmã ia adorar tudo isso. E ela está tão longe.

Decido torrar 20 dólares para subir até o mirante do Empire State Building. É quase 1h da manhã. Eu, meu casaco que não dá conta do frio, mais a câmera fotográfica. Teria muito mais graça ver as luzes da cidade de Nova York abraçada ao namorado. E ele está na outra ponta do continente.

Chego no Central Park e dou de cara com uma Oktoberfest. Canecos, bandinha alemã, cerveja em jarra. Confraternizo com desconhecidos, faço amigos, bebo de graça. Mas onde estará a Tatiana Lemos a uma hora dessas? Cadê a minha amiga que sabe tudo de Alemanha?

Volto para Washington, D.C. Vou até a George Washington University, Georgetown University, sedes do FMI, do Banco Mundial. Mamãe ficaria impressionada com os campi, falaria mal do World Bank e do International Monetary Fund. Ela nunca esteve nos EUA.

Show da Alanis Morrissette, show de jazz, show de reggae. Meu primo Matheus, ex-projeto de músico e atual projeto de jornalista especializado em cultura, ficaria louco.

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A dor de viajar sozinha é que dá vontade de compartilhar as experiências com pessoas queridas e elas estão bem longe. A gente constrói uma rede de afetos desde que nasceu e, no momento em que vive histórias maravilhosas, as pessoas que de fato importam não estão por perto. Não tendo para quem se gabar de imediato, o ego, desprestigiado, sem platéia, murcha. Viajar by yourself é como protagonizar um filme ótimo, de um diretor reconhecidíssimo, ao qual ninguém assistirá. No coletiva de imprensa, no pré-estréia, no DVD na locadora. É você e ponto.

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Mas chega de drama, porque a “delícia” da experiência compensa. Além de atuar, você é o diretor do “filme”. Decide onde ir primeiro, se tira fotos ou não, se muda de idéia e troca o destino. Fica mais tempo neste museu, menos no outro. Come o terceiro hambúrguer do dia sem ninguém te lembrar a existência daquela palavra inútil e burguesa: caloria. E toma uma long neck por dia sem que te chamem de alcoólatra.

Por uma questão de sobrevivência, desenvolve o “lado GPS” do cérebro, coisa que não aconteceria se estivesse acompanhada de alguém mais esperto. O momento mais lindo da viagem, no meu caso, foi quando entendi o mapa da cidade e parei de me perder. Um dia até dei informação a uma americana: “Sim, a 18th Street é para aquele lado”. Me achei. Quando compreendi o funcionamento do metrô, outra emocão. Viajando solito, você descobre o seu ritmo, passa a lidar melhor com as limitações, fica mais ágil para todo o resto.

Outra vantagem: aprende-se a fazer amigos com uma rapidez nunca antes vista. Em quatro semanas na capital norte-americana, conversei com desconhecidos na rua, nos bares, nos museus, nas lojas. Como embaixadora do “brazilian way of life”, dei aulas de samba, ensinei os colegas japas a dizer “Oi” e “Casa Branca”, reforcei o mito do Carnaval: “Sim, é isso mesmo, quatro dias de feriado nacional, todo mundo dançado, todo mundo bebendo”. Eles não sabem nada sobre a gente mesmo... que ao menos fiquem com a imagem de que somos alegres.

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Em resumo, o lance de viajar sozinho sintetiza a idéia do “não se pode ter tudo na vida”. Aí dá pra entender por que a felicidade só é completa na ficção. A vida real apresenta ao viajante dor de garganta em meio a passeios, vontade de chorar na hora em que se coloca a cabeça no travesseiro, a mais profunda solidão em meio a cenários dos mais excitantes. Quem aprende a se divertir sozinho mata a charada e vê que o prazer e a dor podem conviver bem. É assim o tempo inteiro na vida, não é mesmo? Bom, ruim, humano, incompleto. E quando o bicho pega, é você e ponto.

quarta-feira, outubro 01, 2008

Eu preciso voltar porque...



*Meu bolso não agüenta mais pagar 5 dólares por uma long neck;
*Cansei de comer com os mendigos no McDonald’s;
*É vital para a minha sobrevivência voltar a comer com garfo e faca de verdade, em prato de verdade (todo dia é essa história de talher de plástico e comida em caixinha de isopor, mesmo nos lugares caros).

Eu preciso voltar porque...
*Esgotei minha capacidade de fazer cinco amigos por dia, todos de países diferentes;
*Ando louca pra atravessar a rua sem burocracia (as pessoas esperam o sinal abrir para o pedestre, sempre! sempre mesmo! mesmo quando não passa carro! que angustia!);
*Pra mim chega de algumas “regras” do tipo: é proibido comer/beber no metrô, é proibido comer/beber no ônibus, é proibido tomar cerveja andando na rua, é proibido, é proibido, é proibido.

Eu preciso voltar porque...
*A grana acabou;
*Cansei de acordar cedo e chegar na aula pontualmente;
*Esqueci completamente que tenho um emprego no Brasil e que ganho em reai$.

Eu preciso voltar porque...
*Não acho bacana ser sempre a que mais bebe e a única que toma cerveja;
*Estou esquecendo o significado das palavras: salto, esmalte, escova, maquiagem, brincos-grandes, roupas-coloridas, colar (a mulherada não pinta a unha, usa chinelo pra ir trabalhar e não põe nem um batonzinho);
*O meu cérebro anda cansado de acordar em inglês, pegar o ônibus em espanhol, depois estudar inglês ao lado de japas, então visitar museus nos quais tudo está escrito em inglês, e chegar em casa, tentar assistir TV, entender apenas 50% e ter raiva das suas limitações.

Eu preciso voltar porque...
*Não gosto de conviver diariamente com o meu lado xenófobo de ser;
*Ando emburrecendo;
*Cansei de explicar que Porto Alegre fica Sul do Brasil e que lá se come carne todo dia e que temos todas as estações e que...
*Ando necessitada de abraços de verdade, música boa, gente que fala alto.

Eu preciso voltar porque, se ficar mais, acabarei igual aos americanos, sem saber o que se passa no mundo, pensando apenas no próprio umbigo, achando normal comer em caixinhas de isopor/plástico diariamente (haja petróleo), respeitando todas as regras. Se eu ficar mais, vou me acostumar com a limpeza das ruas, dos parques, do metrô. Vou me acostumar com a diversidade de restaurantes, de bares, de museus interessantíssimos, de jornais gratuitos, de gente. Vou me acostumar a não precisar pensar em assalto, em acidente de trânsito, em criança sem escola. Vou me acostumar a não lembrar que o mundo é muito mais do que este país. Eu preciso voltar. Ainda bem que eu posso.

quinta-feira, setembro 18, 2008

Vai um abraço aí?


Ainda bem que existem pessoas interessadas em promover momentos de afeto entre desconhecidos. Os viajantes carentes de abraços agradecem.

p.s. Que tristeza se no Brasil nós precisássemos de campanha pra sair abraçando os outros por aí. (a gente é feliz e não sabe)

A vizinha do Bush


A espanhola Concepcion Picciotto faz vigília em frente à Casa Branca, em Washington DC, desde 1981. Ela vive em uma tenda de náilon montada no Lafayette Park, a poucos passos da Pennsylvania Ave, 1600. Ali exibe cartazes a favor da paz mundial e contra armas nucleares. Dá informações a turistas sobre a sua luta, conversa calmamente, entrega panfletos a quem se mostra interessado. Desanimador é constatar que a maioria dos turistas só tem olhos para a imponente White House.

domingo, setembro 14, 2008

Português!


Cheguei à conclusão de que o Brasil não existe. Eu tenho colegas do Japão, Coréia do Sul, Taiwan, Libéria e Colômbia. Tem também um paulista que fala comigo em português quando a gente está prestes a surtar. O professor é coreano, pode?! Em poucos dias de aula tive que ouvir duas vezes: Ah, vocês falam espanhol... Não! We speak portuguese! Ninguém perguntou sobre samba, Carnaval, futebol ou Gisele Bündchen. Nada! Hoje decidi sair com a camiseta do Grêmio pra ver se achava alguns brasileiros. Resultado: percebi que o Grêmio também não existe. Encontrei apenas um brasileiro. E olha que fui a um evento grande, com pessoas de várias partes do mundo, o Adams Morgan Festival. É foda.

Alma latina


Sinceramente? Acho que odeio os americanos e seus lanches rápidos e suas coca-colas. Desde que cheguei, só levei patada. Tá, alguns foram legais, mas os gente-fina são raros. A minha host, por exemplo, no meu terceiro dia na casa, disse que eu deveria comprar um celular, porque a United e outras pessoas estavam ligando para o telefone dela. “Eu tive que atender quatro ligações pra ti hoje”, reclamou. Simplesmente não acreditei. Além disso, ela me passou duas folhas de ofício com “normas da casa”. Só não cortei os pulsos porque tenho uma roommate, a Carolina, que tem me ajudado desde o primeiro dia. Ela é colombiana e está aqui para trabalhar de forma voluntária para a União Européia. Dia desses, sufocada com as regras, com a grosseria dos americanos, com a comida horrorosa que eles comem, e ainda com dificuldades de me adaptar, tive que desabafar, enquanto conversávamos: “Carolina, I am too brazilian, I cry a lot”. Pensei que ela ia me achar uma louca, uma criança. E então ela disse: “I know what is it, I’m too colombian and I cry everyday”. A partir do momento em que abrimos o coração, paramos de chorar. A Carolina talvez não faça idéia, mas ela me salvou. Me levou pra sair com amigos colombianos, me fez companhia em um festival de capoeira (sim, tem até isso por aqui), me ensinou a lavar roupa na máquina maluca da casa. Além disso, fala mal dos americanos o tempo todo, como eu, e ri quando eu falo português (ela acha engraçado quando eu me engano e digo Casa Branca em vez de White House). É uma fofa.

Zé Dirceu: a não-foto

Eu peguei o avião em Porto Alegre às 13h10min de sábado, com destino a Guarulhos. Lá, só fui embarcar para os EUA às 22h10min. Ao menos era um vôo direto para Washington. Cheguei no Dulles International Airport por volta das 7h de domingo. Logicamente, você consegue imaginar como estava a minha aparência a essa altura: uma monstra. Na chegada, estava nervosa porque não sabia o que teria de fazer/dizer na alfândega. E pensava nisso enquanto estava no ônibus que leva os passageiros do avião até o terminal. Eis que olho para a minha direita e quem eu vejo? Zé Dirceu! Com a cara tão ou mais amassada que a minha. Pensei: puxo assunto? Tiro uma foto? Ele pareceu ler os meus pensamentos e fez cara de pit bull. Fiquei na minha. Como a TPM tem sempre a não-entrevista do mês e eu sou imitona, resolvi colocar aqui a não-foto.
Zé Dirceu: eu nem queria mesmo.

Saga

Acho que aprendi muito inglês ligando para o 0800 da United Airlines. Eu entendia pouquíssima coisa do que eles diziam. Foi o caos. Mas vi que call centers são a mesma merda em qualquer parte do mundo. Eles não resolvem o problema, apenas enrolam. Depois de muitas ligações – mobilizei a família no Brasil para infernizar a United também –, a mala apareceu. Detalhe: a bendita foi entregue “aqui em casa” apenas no dia 11 de setembro, sendo que eu cheguei nos States no dia 7. Precisei ficar em casa, esperando que alguém da empresa de delivery aparecesse, então perdi os eventos relativos ao 11/09. Que eu saiba, por aqui houve apenas a inauguração de um memorial no Pentágono. Só. Pretendo ir até lá nos próximos dias.

Amigos


A parte boa da minha chegada foi ser recepcionada por esquilos. Eles são muitos por aqui, principalmente nas redondezas de onde estou morando. Eu olho pra eles e me mato de rir. Parecem macacos, sobem em árvores, galhos, uma loucura. Minha irmã já teria tentado domesticar um se estivesse aqui...

Passado o choque, consigo escrever

Bem, após sete dias nos Estados Unidos estou conseguindo escrever as primeiras linhas. A chegada foi traumática, principalmente porque eu vim, mas a minha mala não. E pior do que cair de pára-quedas em uma cidade completamente estranha é chegar e não ter roupa para o dia seguinte, nem desodorante/xampu/condicionador/sabonete, nem pijama para uma noite decente de sono, nem um chinelinho bagaceiro para pôr quando se está em casa à noite. Depois de três dias com a mesma roupa, me sentindo uma mendiga, sem vontade nenhuma de tirar fotos, fui às compras. A minha “host” me levou ao lugar mais barato possível, um supermercado onde se encontra de tudo, inclusive roupas, tipo o BIG. Comprei uns trapos e as coisas começaram a dar certo.

sexta-feira, setembro 05, 2008

A classe média vai ao paraíso


Após meses de apertada economia que incluiu corte de gastos até com cerveja, chegou a hora. Amanhã embarco para Washington DC, a capital dos Estados Unidos, para estudar inglês e passear tudo que não passeei em 24 anos. Fico com pena de zerar o cofrinho, entretanto, sei que não será um mês “só” de viagem, mas também do mais profundo encontro comigo mesma que já vivi.

Nos meses que antecederam a minha partida, recuperei livros de inglês que usava em cursinhos de idiomas, cadernos. Estavam lá as minhas anotações, rabiscos, temas feitos a lápis. Me deu saudade e raiva de tudo. As muitas aulas de inglês que eu levei a sério não tiveram como desfecho uma temporada no exterior para cursar high school, como eu tanto sonhava. A realidade da classe média em famílias com três filhos não permite tamanho gasto. Simplesmente não sobra dinheiro pra isso – agora, assalariada que sou, eu entendo.

Bem, mas cultivar este recalque tem seu lado positivo (eu sou defensora ferrenha do rancor). A presença de tal ausência fez com que eu planejasse as minhas primeiras férias remuneradas de uma forma, no mínimo, inteligente (dia de auto-estima no topo). Solicitei financiamento materno, zerei a poupança do BB, passei grande parte do ano com a geladeira mais vazia do que o normal (poder passar fome por opção, ô privilégio), estudei o mapa dos EUA para descobrir qual seria a cidade ideal, peregrinei por agências de viagens, batalhei visto, retomei as aulas de inglês. Os bons ventos ajudaram e a empreitada deu certo.

Agora, durante a TPV (tensão pré-viagem), ando arrancando os cabelos só de pensar que vou me perder loucamente pela cidade e arredores, que em boa parte do tempo terei dificuldades graves para entender o que as pessoas falam, que vou sentir na pele toda a minha falta de vocabulário. Talvez chore, talvez reze. E será para exorcizar os momentos ruins e conduzir os bons à posteridade que contarei neste blog tão malcuidado as minhas trapalhadas e descobertas. As aventuras começam a partir de amanhã. Vem comigo!

sábado, agosto 23, 2008

Eu sonhei com Gilberto Gil

Ele deixava um bilhetinho que não era todo azul. E a letra era bem bonita. Dizia “BOA VIAGEM” e tinha dois telefones.

*escrevi isso em 2006 e esqueci de postar

quinta-feira, agosto 07, 2008

Festa de família (para ler em capítulos)


Aniversário de 15 anos em uma cidade do interior: Uma prima vestida para o Oscar, outra com penteado “novela das 8”, a ex-mulher do tio dançando com tiara de diabinha para provocar a atual, metade da festa usando casaco da mesma cor e eu aprendendo a dançar o créu com a prima de 10 anos. É pouco?


Eu preciso escrever sobre o maior evento familiar ocorrido nos últimos tempos, ou melhor, o único evento de peso promovido por membros da minha família até hoje. Uma festa para 400 pessoas no clube mais fino da cidade de Guaíba. Decoração de arrasar, com a temática “borboletas”. Comida ótima, cerveja gelada e vinho para os menos chinelos. O povo todo bem vestido – o meu pai, por exemplo, colocou gravata pela segunda vez na vida. Festa animadérrima, comandada por dois caras que usavam pernas-de-pau e vestiam roupas coloridas. E a aniversariante, linda e loira, que cumpriu o ritual de dançar a valsa e trocou de vestido duas vezes durante a noite. Não é sempre que a província vive um momento desses.

Você aqui!

Ir a Guaíba, pra mim, é como entrar no túnel do tempo. No fim de semana em que o aniversário da minha prima Roberta parou a cidade, eu encontrei meio mundo em uma liquidação de calçados para onde a minha mãe me arrastou durante a manhã (tios, tias e ex-amigas do jardim de infância). À tarde, dei de cara com 60% da ala feminina da família no salão de beleza. Também estavam lá ex-desafetos, como uma moça que roubou um namoradinho que eu tinha aos 13 anos. Fingi que não conhecia. Ela também. Em cinco segundos eu vi a pré-adolescência passar pela minha cabeça em flashes. A manicure me chamou para a realidade (ainda bem).
– Tu vai querer pintar de jabuticaba mesmo? Também tem ameixa, cereja, carmim...
– Isso, jabuticaba.
Lembrei que tenho 24 anos. Ufa!

Chega aí, pode entrar...
A festa foi no estilo “pra não colocar defeito”. Acabei ficando na mesa mais engraçada e eclética: uma prima vestida para o Oscar, com um longo prata invejável; outra de vestido moderno-chique, daqueles soltinhos e com um sinto na altura do estômago (coisa que eu pretendo não usar nunca), com destaque maior para o cabelo, que mostrava um penteado muito “tendência”, parte das madeixas repuxada, parte solta, franja simétrica, meio “novela das 8”, acho. Completavam o quadro um primo que simulava truques de mágica com um guardanapo; a namorada dele, morrendo de vergonha; minha irmã, louca de faceira com o vestido alugado; mais a ex-mulher de um tio que repetia a todo momento “estou sentido energias negativas”, em referência à oponente; meu namorado, atônito com tudo e em dúvida se estava participando das filmagens de algum pastelão; e eu, que aproveitava a gratuidade da bebida.
Minha irmã ficou um pouco preocupada quando percebeu que 40% das mulheres da festa usavam casaco/estola/bolerinho do mesmo tecido e cor que ela estava vestindo (cinza com brilhinhos prateados). Houve breve burburinho. Metade das meninas decidiu que estava muito quente e pendurou o casado na cadeira. Coincidência amenizada.

Tem que ter habilidade
Quando começou o arrasta-pé e foram distribuídos assessórios, a ex-mulher do tio colocou uma tiara de diabinha. Me sobrou um nariz de palhaço piscante. Estava decretado que os limites do bom senso tinham ficado do lado de fora do salão. Inclusive pra mim. Resolvi aprender a dançar o Créu com uma prima de 10 anos que me surpreendeu muito. Achei que ela ainda brincava de boneca. Sabe tudo de funk, a esperta. Eu ando desatualizada. E vi que, de fato, tem que ter habilidade. Essa coisa de descer até o chão, inclusive, não fica bem em todas as idades. Se as primas menores soubessem que eu sou do tempo da “boquinha da garrafa”... O bom é que o meu passado negro, documentado em agendas e fotos, está bem guardado em caixinhas encapadas escondidas no apartamento da capital.

quarta-feira, agosto 06, 2008

Um dia e meio em São Paulo


A minha missão era conseguir o visto para os Estados Unidos, já que pretendo dar um alô para o Bush em breve. Um dia e meio em São Paulo, ida e volta com passagens promocionais da Gol, entrevista às 8h no Consulado. A minha vida em documentos, tudo separadinho com clipes, estava organizada em uma pastinha, a fim de provar que não tenho ligação com grupos terroristas. Antes das 7h Débora Cruz garantiu seu lugar na fila, ao lado de famílias que planejam ir à Disney e executivos que viajarão a trabalho. A tal entrevista, que ocorreu cerca de duas horas depois, após chá de banco, deve ter durado um minuto. Talvez nem isso. Um homem com o sotaque do Henry Sobel, o rabino das gravatas, me fez perguntas através de um vidro. Tive de responder por meio de um telefone! Coisas básicas, do tipo cidade em que pretende ficar, lugar em que trabalha e se tem parentes nos EUA. Às 9h30min eu saí de lá dando pulinhos, após ter ouvido “Visto concedido” e com tempo de sobra para passear por Sampa. Resolvi coordenar os neurônios e pegar ônibus+metrô. Deu certo e cheguei ao Masp, me achando muito sabida – eu tenho dificuldades com “direita” e “esquerda”, com o metrô de São Paulo então... imagine você. O momento cômico da viagem sempre chega. Pelo menos comigo é assim. E, no caso, foi no museu, enquanto eu observava uma escultura. Estava ali, pensando como alguém consegue reproduzir um joelho humano em mármore, meu Deus, é muita genialidade, que coisa, olha a perfeição. Um homem pára ao meu lado. Observa a obra. Compartilha:
- Lindo, né?! Ele demorou dez anos para fazer isso.
- Nossa, incrível.
- Tu é artista?
- Não, não, sou jornalista.
- Ah, que legal. Então eu vou aproveitar para te entregar um release sobre o meu trabalho...
- Sim, claro, obrigada.
Peguei o papel, dei um sorrisinho – devo ter ficado vermelha – e fugi. Segui para outro corredor, ri sozinha, dei uma olhada rápida no material: “Carlos Estigarribia: ator e violinista performático”. Dizia ainda “escritor e dramaturgo”. O resto do texto eu só fui ler em Porto Alegre, um dia depois, no aconchego do meu apartamento e em meio a risadas.
Agora, as conclusões possíveis:
1) Preciso aproveitar momentos como este para aprender a ser cara-dura;
2) Dependendo do ponto de vista, o mundo é mesmo pura diversão.

Vamos celebrar a estupidez humana

Eu precisei parar de trabalhar, respirar fundo e contar até três depois de receber a seguinte mensagem no celular:
“Débora, sou namorada do L.C., que tu ficou um tempo atrás... Faz tempo, pelo que eu saiba, mas queria que tu me respondesse quando foi a última vez que vcs ficaram/transaram. Desculpa te incomodar. Marcella.”
Bem, nem imagino quem seja essa moça. Mas fiquei realmente preocupada com a sede investigativa dela. Não vejo o L.C. há séculos, nunca cogitei ficar com ele. Fomos colegas na faculdade por um semestre. Lembro que ele era meio “Tony Ramos”, com os pêlos saindo pra fora da camisa, essas coisas, e jornalisticamente atrapalhado. Não dá nem pra dizer que éramos amigos. Um conhecido, creio. Pensei em mandar uma mensagem espirituosa pra Marcella, porém fiquei com medo de que ela não entendesse e ainda por cima levasse a sério. O que é bem provável.
Como diriam na minha terra, tem gente que “se presta”.

quarta-feira, julho 23, 2008

"Espelho, espelho meu..."

Existe apenas um caso em que vale apena descer do salto, assumir o lado “de quinta”, jogar fora o código de ética da mulher moderna e, finalmente, destrinchar a vida pregressa do atual namorado: quando a gente descobre que não há limites para a feiúra das ex-namoradas que figuram na biografia dele. E que atire a primeira pedra quem não admite que tal descoberta faz um bem enorme para a auto-estima!

quinta-feira, julho 03, 2008

Quando o "sabe com quem tá falando?" é bem usado

"Não caí de pára-quedas nessa cadeira. Não fui criado em apartamento do Leblon. Não soltei pipa em ventilador, nem joguei bola de gude em carpete. Sou da zona norte, portanto, quero coerência nos depoimentos."

*juiz Marcello Granado, da 7ª Vara Federal Criminal, ao ouvir os militares acusados de entregar três jovens do morro da Providência a traficantes do morro da Mineira.

quinta-feira, abril 17, 2008

Vê se eu posso com isso

Sonhei com Isabella noite passada. Ou com o Alexandre Nardoni, não lembro dos detalhes.
A que ponto a coisa chega...

segunda-feira, março 31, 2008

Casinha do cachorro

Foi na década de 1980. Não lembro ao certo se ela tinha 3, 4 ou 5 anos quando o fato ocorreu. O que sei é que inventou uma maneira inconseqüente e criativa de fugir dos olhos nem tão atentos da empregada responsável por cuidar das crianças e da limpeza da casa. Numa tarde qualquer, se escondeu dentro da casinha do cachorro, que ficava no pátio de chão batido. A rua em frente – cenário de suas brincadeiras com amiguinhas e amiguinhos – era asfaltada, mas calma. Garantia que as crianças por ali ficassem livremente até o anoitecer, sem que os pais enlouquecessem, sem que grandes preocupações os perturbassem. Bem, voltando à casinha: deve ter sido construída pelo irmão mais velho ou mesmo pelo pai. Era azul e de madeira, acho. E grande, já que abrigava um vira-lata de média estatura. A menina lá se abancou, bem faceira, e levou algumas bonecas. Passou a tarde brincando. Enquanto isso, a empregada andava histérica à sua procura pela vizinhança, batendo de porta em porta. Deve ter chorado, tamanho o desespero, evocado todos os santos em orações, feito promessas, imaginado que estaria no olho da rua em poucas horas. A criança sumiu por uma tarde inteira. Deu as caras depois de brincar até cansar, no início da noite, hora em que a mãe costumava chegar do trabalho. Tinhosa, alegremente tinhosa.

Hoje, Luciana, minha irmã, a filha do meio (que sempre achou ruim ser a-do-meio), protagonista desta história real, completa 25 anos. Deu vontade de tornar público um pequeno (mas significativo!) fragmento da biografia dela. Foi a minha parceira de infância. Agora, é companheira de apartamento. Desde sempre, a pessoa com quem travo brigas homéricas seguidas de risos e demonstrações de afeto.

quinta-feira, fevereiro 28, 2008

A graça de prometer e não cumprir

O ano começa, de fato, na próxima semana. Março. Fim de férias. Pensando nisso me deu vontade de fazer promessas para 2008, com toda a graça de saber que não cumprirei nem a metade. Coisa boa prometer e não cumprir. Mudar de idéia no meio do caminho. Achar que o trajeto é longo demais. Pegar um atalho. Dobrar a esquina sem pensar duas vezes. Tchau, promessa, não te quero mais. E quando algum chato perguntar: “Mas tu não tinha dito que ia...?”. Não, disse coisa nenhuma. Não sei de onde tu tirou isso. Muito capaz!

Se eu fosse uma pessoa séria, prometeria e cumpriria o que segue:

*Periodicidade na academia, três vezes por semana e nunca menos do que isso (com o 2.4 batendo na porta, não há desculpa furada que cole).

*Começar a leitura de “Os Sertões” pela vigésima vez e concluir!

*Agilizar aquela pós-graduação.

*Ligar mais para os amigos que quase não vejo. Ligar mais para os que vejo sempre. Ligar para a minha mãe antes que ela ligue dizendo que eu nunca ligo. Ao mesmo tempo, controlar os gastos com telefone e tentar arrancar algum desconto mensal expressivo da GVT.

*Passar a anotar todos os compromissos na agenda, não contar com a capacidade mental de guardar tudo (sei que não funciona).

*Ir ao cinema com mais freqüência (abandonar a desculpa de que meus horários são "complicados").

*Aumentar a média de livros lidos por mês.

*Assinar alguma revista.

*Lembrar que a poupança do Banco do Brasil não vai crescer se eu continuar escolhendo somente a opção "ver saldo" na tela.

*Beber menos, em alguns casos.

*Beber mais, em outros.

*Começar a gostar de vinho.

*Parar um pouco de ler biografia de gente louca e de ficar afetada com as histórias de vida desse povo.

*Não detestar a psicóloga.

p.s. não olharei este post no final do ano.

sexta-feira, fevereiro 22, 2008

“Vocês acham que velho não faz Carnaval?”

Ficar em Porto Alegre no Carnaval significa que, se você não for assaltado na primeira noite, poderá encontrar uma noiva de 70 anos no Van Gogh, de branco mesmo, devidamente caracterizada, véuzinho e sandália de salto respeitável para uma jovem senhora. Isso por volta das 3h. Poderá ficar amigo dela e da irmã (de idade semelhante) e receber conselhos sobre como a mulher moderna (!) deve agir com os homens.

Segundo a noiva, que buscava um par, logicamente, e encontrou (!), rachar a conta está absolutamente fora de cogitação. Esqueça o “cada um paga o seu”, recomendou. Mas, por outro lado, é preciso ter a manha. “Tu não pede alguma coisa e faz ele pagar, tu sugere discretamente, dá a entender, e aí ele paga”. Seria algo do tipo: “Ai... como cairia bem uma champagne agora...”.

Se me contassem, eu não acreditaria. No entanto, testemunhei. O “noivo” surgiu, vindo de algum baile da terceira idade, e não pensou duas vezes antes de sentar junto às irmãs setentonas. Pagou champagne, guraná, comidinha. As duas se esbaldaram. Em uma espécie de pingue-pongue-do-amor-livre, hora o noivo estava sentando ao lado de uma, hora de outra, recebia carinhos na nuca e mandava baixar mais bebida. No momento em que a ala vinte-e-poucos-anos decidiu dar adeus aos novos-velhos-amigos, a frase do “noivo” resumiu a noite: “Vocês acham que velho não faz Carnaval?”.

Ok, não acho mais.

quinta-feira, fevereiro 21, 2008

Progressistas, malucas e sensacionais

Era 1966. Estavam em uma boate no Rio de Janeiro:

Maysa: "Gauchinha de merda, você não canta nada".
Elis Regina: "Não me provoca não, sua pinguça".

Em seguida, voou uma garrafa de uísque. Roberto Menescal a teria segurado no ar, antes que o pesado objeto atingisse Elis.
Maravilhosamente doidas essas duas.

*quem conta é Lira Neto (Editora Globo, 2007) em "Maysa – Só numa multidão de amores"

quarta-feira, janeiro 23, 2008

Eu é que sei, não venha me dizer

Só você sabe se é possível encher um copo de requeijão, uma piscina de plástico, o Guaíba ou um oceano ao reunir todas as suas angústias tolas.

terça-feira, janeiro 15, 2008

Meta para 2008: sentir menos sono, se é que isso é possível

Eu juro que, neste ano, quero sentir menos sono. Para que se tenha idéia da gravidade da situação, sou o tipo de pessoa que dorme até em pé, como os cavalos. Com um sofazinho ou uma cama disponível, aí o estrago é realmente feio. Durmo a hora que for, após ter tomado chimarrão, café ou red bull, com a barriga cheia ou vazia, com sono atrasado ou não, de ressaca... bem, aí nem se fala. Posso até colocar o celular para despertar, mas quando o aparelho começa a fazer aquele barulho desgraçado, aperto o dedo contra alguma das teclas que nunca sei qual é e o som cessa. Até chego a pensar "preciso levantar agora", mas a dormência que toma o meu corpo não permite. Sinto como se mãos ou correntes ou cordas me amarrassem à cama, como nas matérias do Diário Gaúcho em que mães acorrentam os rebentos viciados em crack junto ao
móvel. O problema é que, quando acordo, penso em todas as coisas que deixei de fazer, que estão pendentes, que eu não terei tempo de concretizar depois. E me arrependo por ter tomado o caminho mais fácil. Livros que deixaram de ser lidos, passeios na Redenção que ficaram só no plano imaginário, visitas aos amigos que não foram efetivadas. Eu viveria mais se dormisse menos. 2008, vê se dá uma ajuda: eu tenho tanta coisa pra viver...

sexta-feira, dezembro 28, 2007

A Lista*

Fim de ano deixa as pessoas meio bobocas (principalmente eu). Hoje, por exemplo, escutei uma música no rádio enquanto arrumava a mala para mais uma viagem de réveillon. Não consegui parar de pensar na letra, não sosseguei enquanto não descobri quem era o compositor. A criatura que escreve e musica uma coisa dessas não precisa fazer mais nada na vida. (descobri que tenho medo de 2008 e dos dez próximos an0s)

Faça uma lista de grandes amigos
Quem você mais via há dez anos atrás
Quantos você ainda vê todo dia
Quantos você já não encontra mais
Faça uma lista dos sonhos que tinha
Quantos você já desistiu de sonhar!
Quantos amores jurados pra sempre
Quantos você conseguiu preservar
Onde você ainda se reconhece
Na foto passada ou no espelho de agora
Hoje é do jeito que achou que seria?
Quantos amigos você jogou fora
Quantos mistérios que você sondava
Quantos você conseguiu entender
Quantos segredos que você guardava
Hoje são bobos ninguém quer saber
Quantas mentiras você condenava
Quantas você teve que cometer
Quantos defeitos sanados com o tempo
Eram o melhor que havia em você
Quantas canções que você não cantava
Hoje assobia pra sobreviver
Quantas pessoas que você amava
Hoje acredita que amam você

*Oswaldo Montenegro

quarta-feira, novembro 14, 2007

Na linha de tiro, eu entendi

Quando disse aos colegas de trabalho que iria na tal “instrução e competição de tiro” da Brigada Militar para jornalistas, nem eu sabia o que havia motivado a minha decisão, o que eu ia fazer lá. Achei que ter um pai policial era uma boa desculpa. E fui. Eu não sabia, mas estava aceitando uma possibilidade de encontro comigo mesma, com a minha infância, com o meu pai. Com protetores auriculares, só conseguia ouvir o barulho abafado dos disparos e o som do meu coração, batendo rápido, nervoso, descompassado. O cheiro de pólvora era familiar, literalmente. Na hora de apertar o gatilho, ali, na linha de tiro, eu entendi.

[idos de 1990] Não sei a idade ao certo, mas acho que lá pelos 10 anos de idade eu costumava acompanhar meu pai em incursões no mato para ele treinar a pontaria. Minha irmã morria de medo. Eu gostava. O tiro ao alvo do meu pai era “roots”. Nada de proteção para o ouvido ou alvo refinado. Ele levava uma tábua, um pedaço de pau que fazia as vezes de vítima. Acho que usava telhas também. Enfim, tudo feito sem glamour, a vida como ela é. Eu curtia. Olhava atenta. Tentava entender a velocidade do projétil. Depois, buscava os cartuchos correndo. Fazia o papel de auxiliar. E no dia em que ele ofereceu “Quer atirar?”, eu não pensei duas vezes.

Pena que a gente nem imagina. Os momentos-chave vividos na infância deveriam vir acompanhados de legenda: “Guarde isso em alguma gaveta confiável do seu cérebro. Será de extrema importância para compreender fatos subseqüentes”. Mas não é assim que a banda toca, infelizmente.

[final de 2007] Era hora de apertar o gatilho e a experiência dos tempos de criança pouco importava naquele momento. Havia platéia. Jornalistas olhando, colegas de trabalho, brigadianos. E o pior. Meu pai não estava ali para dizer como eu tinha que posicionar a perna, como pegar o revólver e, principalmente, não estava ali para segurar a arma comigo e ficar na retaguarda para o caso de a força do disparo jogar o meu corpo para trás. Então eu entendi tudo. Aquele tiro era meu, sem a ajuda de ninguém, sem proteção paterna. A coisa agora era comigo. Doze disparos em seqüência, dois deles calculadamente mirados e acertados no peito do alvo. O resto foi “barberagem”. Tiro na mão do boneco e outros nem perto.

Se não fosse a experiência de acompanhar os treinamentos do meu pai, dificilmente eu teria participado da instrução de tiro da BM. Aliás, eu nunca teria ido, vamos falar a verdade. E o mesmo serve para diversas outras situações em que eu não teria me metido se não fosse a influência policialesca dele. Sensação de perigo iminente, aceleração do coração, mira, barulho ensurdecedor, cheiro de pólvora, adrenalina. Entendi meu pai, a ausência dele, o olhar dispersivo, a vontade de que as filhas aprendessem a dar o próprio tiro. Há dez anos, ele estava me ensinando a crescer, estávamos crescendo juntos, e eu nem imaginava isso.

terça-feira, setembro 18, 2007

Escolhi o jornalismo porque sou imitona

Eu escrevia poemas aos 13 anos. Péssimos, lógico. Estava na sétima série. Sofria por amor. Escutava Legião Urbana, Cidadão Quem, Kid Abelha, tudo próprio da idade. E rádio. Era louca por FM. Dentro de mim, existia uma dor que não cabia no mundo e que as pessoas não estavam muito interessadas em saber do que se tratava (a não ser a minha psicóloga na época, que era paga pra isso). O jeito era escrever. Enchia diários, agendas e caderninhos que hoje são motivos de riso (sim, eu guardei tudo e volta e meia dou uma olhada para rolar de rir). Numa das agendas encontrei a palavra “saldade” escrita umas 57 vezes. Eu já estava meio velha para cometer esses erros de português, mas tudo bem. Morria de medo que a minha mãe lesse, que a minha irmã visse, que os colegas soubessem. Eram os meus segredos. Apesar do temor, escrevia. Ouvia rádio. Gravava músicas em fitas k7. Lia livros e me apaixonava pelos autores (se o Marcelo Rubens Paiva imaginasse...). Até que um dia me dei conta de que queria ser como os locutores que falavam no rádio, como os escritores que tinham coluna em jornal, como os repórteres que contavam as maravilhas da profissão quando eram entrevistados. Queria causar nas outras pessoas aquela admiração/identificação/e-por-que-não-paixão? que eu sentia por eles. Ser referência. Opinar sobre música, teatro, cinema, política (economia eu realmente nunca me interessei). Falar coisas nas quais as pessoas iam sair acreditando piamente. Passei a sonhar com redações esfumaçadas, amigos boêmios, vida social agitada. Mas eu tinha 14 anos, uma vida mais ou menos numa cidade provinciana e uma timidez que faria qualquer ser racional achar que aquela história não dava pé. Não sei direito como, mas com 18 anos eu estava na Famecos, a faculdade dos sonhos, mami propondo ano-novo em Cidreira para conseguir manter as mensalidades em dia, época de vacas magras. Depois vieram estágios que rendiam trocados para comprar calças jeans e tomar cerveja por aí, amigos e paixonites jornalisticamente interessantes ou não, mudança de mala e cuia para a capital. Foi mais ou menos assim que eu cheguei aqui, às vezes até sem acreditar que tudo é de verdade. Agora, caminho percorrido, não lago o osso!

segunda-feira, setembro 03, 2007

Já vai tarde, agosto

Sai ano, entra ano, e o azar inerente ao mês de agosto não sofre mudanças. Ô mezinho previsível. Não traz surpresas (como janeiro), nem sentimentos puritanos (como dezembro), nem saudades de tudo (como março), nem festas de casamento (como maio). Agosto é isso mesmo: rezar para que passe rápido, para que não faça tanto frio (como sempre faz), para que Murphy não dê as caras tantas vezes (e dá, a gente sabe), para que setembro invada o calendário sem demora, deixando a ventania e os cachorros loucos para trás, anunciando o calorzinho, os fins de semana na praia, os acampamentos, as cervejas freqüentes, as flores colorindo os poucos arbustos que restam na paisagem urbana, as saias-vestidinhos-tamancos-blusinhas (que facilitam a vida), o cabelo preso em rabo de cavalo por obrigação (até isso vira sinônimo de praticidade e de vida confortável).
Agosto, deu pra ti, cansei, vaza, pica a mula, abre fora, te manda, vai.

*Post deslocado, escrito no dia 31 de agosto e publicado em 3 de setembro porque a autora não sabe onde anda com a cabeça e esqueceu a nova senha do blog.

quarta-feira, agosto 22, 2007

A vida não tem paetê e lantejoula*

Às 22h40min, Paulo Markun suspira antes de comentar, com ar ranzinza e cara de sono: “Acordei às cinco da matina. Quem mandou não estudar?!”. Aí eu percebi que tinha valido a pena ir até a TV Cultura para participar da platéia do Roda Viva.

Reflexão 1) A preguiça existe para todos, inclusive os que disfarçam bem.

Reflexão 2) O jornalismo é mesmo coisa de gente masoquista.

Instantes depois, quando rodou a vinheta do programa, outra pérola: “É nóis na fita”. Uma tradução possível seria: “pessoal, preparem-se, vai começar”. Moderninho o Markun.

O programa tem início. Enquanto ia ao ar a matéria que explica quem é o entrevistado (no caso, o ministro dos Esportes, Orlando Silva) e qual será o tema da noite, escuto alguém assuar o nariz muuuito alto e penso: “Meu Deus, quem está fazendo isso?”. Surpresa! Era o Paulo Caruso, com um lenço de pano, sem vergonha nenhuma.

*frase de Elis Regina, que sabia tudo sobre o valor da simplicidade.

segunda-feira, agosto 20, 2007

Conselho de pai: "Pisa no pescoço"

Os pais geralmente assumem uma postura meio largada na criação dos filhos, mas às vezes dão conselhos interessantes. O meu, por exemplo, é um defensor ferrenho da solteirice das filhas. Seu Ivan não quer casar as herdeiras. Apóia a independência feminina, o aperfeiçoamento profissional, a cerveja nossa de cada buteco, as viagens com os amigos e o combate ao homem-parasita (aquele que suga a gente até o último fio de cabelo e nos transforma em bagaços). Segundo ele, não se deve “dar mole”, aceitar tentativas de dominação, fazer as vontades, incorporar atitudes de Amélia. O negócio é maltratar, desconhecer o altruísmo propositalmente, tratar os homens como cães, já que eles merecem. E mais. Em momento inspirado (talvez no primeiro czar da Rússia, “Ivan, o Terrível”), aconselha: “Quando ele estiver agonizando, pisa no pescoço!”. Cruel o papai. Por um lado, eu concordo, afinal a raça merece tratamento perverso em nome do sofrimento histórico que nos causou. Por outro, não consigo, pois tenho pena de homem (eles se mostram seres tão frágeis a cada dia, que coisa incrível...), o que é um grande defeito. Na dúvida, evito a pisada, mas penso sobre o assunto e repasso o conselho para as amigas que precisam ouvir algo do tipo.

quinta-feira, julho 12, 2007

Motivo pra rir durante uma semana

cristiano disse...
oi debora. estava procurando noticias do salao danilo, e te achei, pelo que entendi tu trabalhas la nao?? eu ja trabalhei no danilo a muitos anos atras(nao,nao sou velho tá?)e agora tô vendo se volto. tu é cabeleireira?eu tô fazendo o curso e tenho algumas clientes que atendo a domicilio, sempre é bom falar com alguem do ramo.se puder me dar teu email, o meu é falavigna.cristiano@gmail.combjusss !!!!!!
10:58 AM


*Dei de cara com esse comentário hoje no blog. Gargalhei. Muito. Freneticamente. Me imaginei alisando madeixas alheias, transformando rostos a partir de cortes de cabelo modernos! A realidade é que eu fiz uma matéria sobre o salão do Danilo. Só. Não houve observação participante nem nada. Coisa incrível o ruído-nosso-de-cada-dia na comunicação.

terça-feira, junho 05, 2007

Porque a idade está aí

– Qual da linha Chronos tu acha que eu devo usar?
No mesmo instante em que fazia a pergunta para uma amiga, não acreditava que tais palavras estavam saindo da minha boca, muito naturalmente, por sinal. Pois bem, prestes a completar 23 anos, decidi que deveria ligar sim para as marcas que o passar dos anos esculpe na pele.
– Tem que ser o que se usa a partir dos 30 anos – disse, bem séria numa mesa de bar, a amiga-e-consultora-da-Natura.
Antes disso, eu já tinha colocado a minha avó na parede.
– Conta pra mim qual é o segredo, vó. A senhora, que tem a pele tão bem cuidada...
– Olha, tem que passar creme. E começar a cuidar antes das rugas aparecerem, porque depois já não adianta.
Então fiz pesquisas. Consultei outras representantes da classe feminina. E sites também. Anti-rugas é coisa do passado! Agora se fala em anti-sinais, o que, cá entre nós, soa bem mais agradável. Nunca me imaginei numa situação dessas, pedindo conselhos para as pessoas sobre como barrar o aparecimento das tais marcas de expressão.
Antes eu pensava: “Uma pessoa sem rugas é uma alguém que não tem história, que besteira lutar contra isso, blá blá blá”. Quanta bobagem, Débora Cruz! Pensamento de quem ainda não tinha adentrado a casa dos 20.
Agora mudei, confesso. Como parte da transformação conceitual, poderia citar que pé-de-galinha é algo a ser evitado, riscado do caderninho. O excesso de sardas também. Protetor, muito protetor solar, inverno e verão. Cuidados mil. Promessas de começar a malhar, de comer mais frutas. Ai, ai... o que a idade não faz.

sexta-feira, maio 18, 2007

Sem cabimento, mas faz rir

Em enterros familiares, mesmo depois dos 20 anos, a gente encontra tias que apertam as nossas bochechas e dizem coisas do tipo: “Ai, esse teu olho lindo que eu adoro! Meu filho, tem que tirar uma foto dela pra colocar em alguma revista!”. Coitado do primo-fotógrafo. Só restava rir. Então foi isso o que ele fez. E eu também. Daí pensei: “Alôôu, mas que revista?!”.

quarta-feira, maio 16, 2007

A filosofia e o banho

Enquanto sentia a água quente, muito quente, levar pelo ralo as energias agregadas ao corpo após um dia inteiro fora de casa, exercitava preocupações pequeno-burguesas por meio de pensamentos difusos e sem propósito: vontade de quase-nada, vontade de quase-tudo, vontade de muito-pouco, vontade de bem-mais-do-que-isso, vontade de movimento.
Mas uma pessoa normal (se é que esse conceito existe) não passa 17 minutos de banho pensando só nisso. Na seqüência, vieram os seguintes flashes de pensamento (não necessariamente nesta ordem): atenienses, pós-modernidade, espartanos, quarta-feira de ofertas no Zaffari, positivismo, Toddy (comprar urgente!), Morin, erva para o chimarrão (aquela que já vem com chás), dicionário de francês, mercado de trabalho, essência do ser humano, cortar o cabelo amanhã (sem falta!), pré-socráticos, moral cristã.
Ao fim de tudo, afogada em reflexões inúteis e de banho tomado, lembrei do mais importante: esqueci de pegar a toalha!

quarta-feira, maio 09, 2007

Sinônimos da palavra cuidado

Três frases que a minha geração cresceu ouvindo e que possivelmente estarão em extinção no futuro e que me fazem pensar no valor incalculável do amor de mãe:

“Vai com Deus”
“Te agasalha”
“É pouco cobertor”.

domingo, maio 06, 2007

Ana em movimento

O sorriso de Ana não era mais o mesmo e ainda assim ele queria estar ali. Desejava ficar perto dela com a mesma intensidade do dia em que se viram pela primeira vez, num bar em que ela costumava beber com as amigas. Quando o homem magrelo se aproximou com um pequeno papel, ela imaginou a continuação da cena: uma cantada clichê e o número do celular dele. Mas não foi nada disso.
– Oi, tudo bem? Eu sou a “ficha 2”!
Pronto, homem que sabe fazer rir ganha pontos. E foi assim que ele conquistou lugar na mesa das quatro (o que havia sido negado minutos atrás a um quarentão que resolveu importunar as moças) e conquistou também lugar na cama de Ana por três anos.
O que o impulsionou a levantar e tentar a sorte foi o sorriso de Ana. Entre um gole de cerveja e outro, ela ria como se não conhecesse as desgraças do mundo. Tratava-se de uma pessoa completamente entregue a um momento simples, leve e feliz. Ele sentiu necessidade de estar perto daquela felicidade, daquela leveza. Então veio a idéia da ficha, muito bem-sucedida, por sinal, e Ana não dormiu sozinha naquela noite.
Três anos depois, naquele mesmo bar, ela tentava explicar que precisava urgentemente voltar a rir com vontade, como uma alienada! Ele entendia, mas não admitia. Antes, queria o sorriso de Ana. Agora, precisava dela. E o que mais dificultava a felicidade daquela mulher de vinte e poucos anos era saber que ele queria compartilhar o que quer que fosse, talvez até a infelicidade. Pra ela, a vida era outra coisa. Nada de estar junto na alegria e na tristeza, dividir a depressão. Preferia sofrer solteira, até porque as chances de o sofrimento acabar mais rápido seriam bem maiores.
Ana tinha uma necessidade profunda de deixar o sorriso voltar à face, mas a decisão era difícil.
Ainda assim, sabia que tinha ficado com a fatia menor do sofrimento, e que em pouco tempo estaria apresentando outro homem ao seu travesseiro.

quinta-feira, maio 03, 2007

Eu não pensava...

que, aos 22 anos, fosse possível:
- se perder da mãe no centro de Porto Alegre
- ter medo do mar
- querer colo
- saber de cor a letra de “Lua de Cristal”
- sentir choques no estômago ao dar de cara com situações docemente inesperadas
- gostar de Legião Urbana
- ter a idêntica compulsão avassaladora por negrinho e branquinho que se tinha aos oito anos
- matar aula com peso na consciência
- encher os olhos de brilho ao ver algodão doce e maçã do amor
- ouvir 154 vezes a mesma música
- morrer de vergonha
- pensar que tudo ainda está só no começo.

sexta-feira, março 30, 2007

Eu, sozinha no bar

Por uma dessas cachorrices que amigas desalmadas cometem e que nem Cristo conseguiria explicar, acabei eu, numa quarta-feira à noite, sozinha no bar. Experiência única, confesso. Tinha me programado para tomar cerveja e comer um xis. Falta de companhia não iria impedir. Optei por uma mesa do lado de dentro (na rua ia ser muito mico). Sentei, pedi o cardápio: “uma Polar e um xis salada sem ovo”. O garçon fez cara de que iria perguntar “dois copos?”. Eu fiz cara de que a pergunta não seria bem-vinda. Ele se foi e voltou com a cerveja mais gelada que já tomei na vida. E um copo.
Nas mesas ao meu redor, casais, grupos de amigos, homens sozinhos. Entre olhar para o horizonte e ver televisão, fiquei com a segunda opção. Novela, Big Brother e... jogo do Inter! Sim, muito azar da minha parte. Mais homens começaram a chegar, irmanados por um sentimento futebolístico do qual eu estava muito distante. Me dei conta de que o bar iria encher de homens, que eu estava ali sozinha, com a minha cerveja incrivelmente gelada, e que seria alvo de comentários machistas, preconceituosos, descabidos.
O xis não demorou para chegar. Lá fui eu, com os talheres, devorá-lo. Mais homens devidamente fardados e ansiosos adentravam o recinto. Olho para o xis, olho para a porta, olho para os lados. Começou o jogo. Não sei se foi fruto da minha imaginação, mas lembro de ter ouvido, lá pelas tantas: “Se está sozinha, boa coisa não é”. Respirei fundo, o xis já estava quase no fim.
Doze minutos de jogo. Engoli o último pedaço. Virei o último copo. Peguei minha bolsa e saí de fininho, sem olhar para os lados. Com muita concentração, era preciso percorrer uma linha reta interminável até o caixa. Questão de vida ou morte! Paguei a conta e corri pra casa sem olhar para trás. Ser mulher pós-moderna não é tão fácil quanto eu imaginava.

quarta-feira, março 21, 2007

Princípio

Redescobrir que se tem duas pernas, dois braços e um coração saudável significa acordar de um sono profundo, colocar o nariz pra fora de casa num domingo de sol, deixar o rosto sentir o calor, o vento, a rua. É preciso sentir a rua. Sozinho. Com os possíveis prazeres, com as prováveis dores. Ainda bem que se tem duas pernas, dois braços e um coração pronto para apanhar.

segunda-feira, março 12, 2007

Se até a uva passa

O Orkut não tinha me causado tanto desgosto até então:
Doze de março de 2007, onze horas da noite, Débora Cruz já respondeu os scraps do dia, já visitou alguns sites, já baixou um vídeo raro da Elis Regina. Eis que o e-mail do Terra pula: “Você tem 1 nova(s) mensagem(ns)”. Muito bem. “Orkut – Ricardo enviou um convite...”. Ok, alguém me adicionou. Fui ver quem era o tal Ricardo Santos. De primeira, não reconheci. Até aí normal, pois vira e mexe aparecem desconhecidos querendo amizades que meu instinto paranóico tende a reconhecer como vírus. Resolvi olhar o perfil da criatura. Deus do céu! Veja só: tratava-se de uma das piores recordações que tenho da 6ª, 7ª série, sei lá, já nem lembrava mais. Comecei a sentir algo estranho, que foi subindo e subindo e subindo. Socorro! Só eu sei o quão péssima foi a experiência de fazer um trabalho em grupo com tal elemento (era um trabalho de História, acho) e mais outros colegas. O que era pra ser uma reunião produtiva na casa do colega Ricardo acabou se tornando um complô para que eu ficasse com ele. Pobre Débora, bem inocente, com seus 13 anos, seus cadernos, seus livros, sua vidinha casa-escola-casa. O menino era impossível de encarar. Mas insistiu, me puxou pelo braço (grosso!), disse “Vem cá!” enquanto eu corria em direção à rua, em busca dos outros colegas (traidores), que me deixaram sozinha com aquele projeto de delinqüente me tirando para Chapeuzinho Vermelho. Que lembrança terrível da pré-adolescência.
Pois não é que o guri me acha no Orkut quase dez anos depois! Que pânico. Eu lembrei exatamente do desespero que senti naquela tarde, por isso a sensação estranha, que foi subindo e subindo e subindo. A parte boa é que agora, bem diferente do que ocorria naquele tempo, eu consigo rir disso tudo, achar trágico e cômico. Passou: ufa!

quinta-feira, março 08, 2007

Águas

Março está aí, com suas águas que, segundo o velho Antonio Carlos, fecham o verão. Em breve terei mais leite do que cerveja na geladeira. Não serei mais tomada pelo impulso diário de me enfiar num bar à noite. Banhos gelados farão parte do passado. Ir a pé até a Lancheria do Parque depois das 22h representará um desafio torturante. Com o frio, chegará o enferrujamento do corpo, da boemia, das necessidades alcoólicas. Chato isso. Bem chato.

"É pau, é pedra, é o fim do caminho"

quinta-feira, fevereiro 15, 2007

Ou tem vocação...

A disposição para um estado constante de crise existencial deve nascer com a pessoa. Sabe aquele tipo de gente que se irrita com muita felicidade? Que vê na sensação de completude uma afronta às boas possibilidades de produção intelectual? Que gasta um cd ou dvd ouvindo 154 vezes a mesma música, remoendo a mesma melancolia e reinventando matizes para a sua insatisfação com sabe se lá o quê? Esse estado alterado de consciência pouco necessita da ajuda de substâncias estimulantes, mas elas podem contribuir, é claro. Basta que a criatura já tenha vindo ao mundo com vocação para o descontentamento. E que ainda por cima goste disso.

quinta-feira, janeiro 18, 2007

Coisa de criança

Não se faz mais aniversários de criança como antigamente. É certo que não. O fator determinante é que quase não há crianças nos aniversários de criança. Sério. Repare. A independência feminina tem um preço, e parte dele é pago pelas festinhas infantis. Aquela história de meninos e meninas correndo loucamente em volta das mesas, comendo docinhos sem parar e tomando coca-cola como se fosse a última vez na vida é coisa do passado. Essa moda de ter um único filho e olhe lá traz prejuízos.
O pequeno número de pessoinhas com menos de 12 anos em tais eventos chega a dar pena, pois a escassez de crianças tem reflexo direto na empolgação das brincadeiras, no parabéns, no momento de estourar o balão-surpresa, na trilha sonora.
Dia desses, fiquei a filosofar num aniversário de um aninho. Os muitos balões coloridos e a decoração do Ursinho Puff (poluída demais para o meu gosto) até que disfarçavam a falta de crianças, mas não resolviam o problema.
Se bem me lembro, quatro palhaços animavam a festa. Acho que eles se deram conta de que a maioria do público era composta por tios e tias. Então, resolveram inovar: chamaram os adultos (primeiro as mulheres, depois os homens) para a “dança da cadeira”. Olha, foi um sucesso!
A velharada se divertiu como nunca. O DJ detonou no funk. A festa bombou. E isso sem ninguém perceber que as crianças estavam apenas olhando. Passaram de protagonistas a coadjuvantes. Murcharam.
Eu fiquei a lembrar que na minha infância as festas com palhaços eram raríssimas, mas isso não tinha a mínima importância. Brincava-se de tudo, comia-se de tudo, e as crianças voltavam pra casa sujas (de tanto correr), enjoadas (de tanto comer negrinho e beber coca-cola) ou com galo na testa (de tanto cair). As mães piravam, e os pais não davam a mínima, afinal, era coisa de criança mesmo.

terça-feira, janeiro 16, 2007

A banda do Zé Pretinho

De uns tempos pra cá eu percebi que meu pai deve ter sido uma das melhores companhias de bar que o eixo Guaíba-Porto Alegre já teve. Um dos motivos é que ele toma até cerveja quente. Desde que o copo esteja cheio, tá tudo certo. Não é alcoólatra. Lógico que não. Se fosse, eu não estaria achando tudo lindo. Mas a questão é que ele sabe que lugar de beber é em mesa de bar. Preferencialmente, com batuque. Batidas articuladas na mesa. Mão e madeira produzindo som. Samba. Samba antigo.
Eu demorei para perceber isso, pois há tempos ele abandonou a vida boêmia. Aposentou as madrugadas etilicamente musicais precocemente, antes dos 30 anos, por conta dos muitos pedidos da minha mãe. Reprimiu a vontade. Sufocou até que ela perdesse o ar. Acontece que um dia as filhas cresceram e se mostraram simpáticas aos botecos esfumaçados da Capital, fato que ele não consegue reprovar. Assim, se o telefone toca e eu estou a beber com os amigos, admito:
– Tá em casa?
– Pai, tô tomando uma cervejinha...
– Hahahahaha...
Ele ri. Sente e entende. Diferente da minha mãe, que quase desliga na cara. O pai sabe o valor que tem uma madrugada com os amigos. Sabe que o tempo não volta. Dá risada como um cúmplice. Acha que é “coisa de jornalista mesmo”. Vê graça.
Além de ser chegado em algumas bebidas, papi tem o dom de contar histórias muito bem, característica que pode fazer com que um dia ainda vire escritor. Enquanto isso, ele se realiza com uma filha jornalista.
Mas a coordenação com que batuca as músicas do Jorge Ben não deixa dúvidas sobre suas experiências noturnas e musicas.
– A banda do Zé Pretinho chego-o-u, pá-ra-a-a animar a festa...
“Hum... ele sabe até a letra...” Queria poder ver esse jovem senhor batucando e contando causos em mesa de bar. É por isso que qualquer hora vou arrastá-lo para o Bar do Marinho, reduto porto-alegrense da boa música e da cerveja barata. Sem a mãe saber, claro.
– Pai, já pro boteco!

sexta-feira, janeiro 05, 2007

...

Escritor ruim + revisão mal feita = milhões de erros a serem marcados a caneta por uma leitora paranóica.

quarta-feira, janeiro 03, 2007

People are strange ou 2007 está aí

Descobri coisas importantes no Ano-Novo. E estranhas. Acampei em um camping que não conhecia. Como de costume em feriados relevantes, as áreas com sombra foram disputadíssimas, faltou luz mais vezes que o esperado e cada banho era um desafio (mais pelas longas filas do que pela sujeira no banheiro). Mas tive surpresas. Descobri que chapinha é coisa do passado entre as loiras. A moda é escovar a franja. Quando eu me dirigia para o banheiro no final da tarde com o kit-banho, encontrava as meninas em grupo, socializando o secador, espichando uma mecha devidamente separada do resto. Achei cômico. Pensei comigo: “Será que faz diferença secar só a parte da frente?”. Observei a obstinação com que elas escovavam os fios, mas continuei achando o resultado pouco representativo.
Outra revelação de peso: existe gente que bebe Salton em taça de champagne na cozinha do camping minutos antes da virada. Estranho. Bem estranho.
Pra terminar, descobri, na chegada a Porto Alegre, que minha mãe caiu de moto no feriadão. Hã? Minha mãe? Moto? Sim. Ainda estou assimilando isso. Ela pegou o veículo do meu irmão e resolveu aprender. Meu pai, sem muita didática, aconselhou: “É só acelerar.”. E foi o que ela fez. Só que o muro do pátio estava próximo. Resultado: mami estirada no concreto, moto por cima de mami, papi quase tendo ataque do coração (contendo o riso, claro), mami gritando loucamente. Ela contou que ainda sente dores no corpo e a culpa foi toda do maridinho. Disse que conseguiu dar uma volta na quadra com a minha tia depois, sem maiores problemas, e que gostou. “Gurias, vocês têm que aprender a dirigir a Biz!” Ok, ok.
2007 começa estranho...

Saco

Estou rodeada de gente passional e isso me irrita. Tudo me irrita.

domingo, dezembro 03, 2006

Sobre como tatuadores podem ser pessoas legais

Três fatos ocorridos em seqüência me fizeram reconsiderar o que eu pensava a respeito de pessoas que ganham a vida marcando a pele de outras com tinta escura. Segue a historinha...

1) Na sala da recepção, entre um choque no estômago (sinônimo de nervosismo agudo) e um comentário clichê qualquer emitido para que o tempo parecesse passar mais rápido, eu ainda pensava na possibilidade de desistir. Quando minha companheira de sofrimento declarou que havia a possibilidade de ela ter que ir embora – culpa de uma carona imperdível para o litoral – e me deixar sozinha com a decisão de eternizar um desenho no corpo, proferi a frase infantil:
Débora: – Elô, mas como eu vou fazer a tatuagem se tu não estiver aqui?
Elo: [silêncio].
Tatuador: – Mas eu vou estar.
Sim, como um amigo íntimo, alguém da família, o rapaz estranho, possuidor de dezenas de tatuagens pelo corpo, fez com que eu me sentisse a pessoa mais segura do mundo. Então pensei: “Gente fina esse cara”. Pronto, eu não voltaria atrás Parte I.
2) Pouco antes de sentar na cadeira em que o serviço seria consumado, passei os olhos pela perna do tatuador – sem malícia, juro. Tinha de tudo. Mesmo. Desenhos diversos e de todas as cores imagináveis. Mas a surpresa maior foi ver a minha escolha – que era inédita até o momento – representada ali. Pensei: “Que merda, ô idéia comum que eu tive”. Sentei e ele falou:
Tatuador: – Posso te fazer uma pergunta?
Débora: – Claro [pensando, como assim?].
Tatuador: – Por que tu vai tatuar um ponto de interrogação?
Débora: – Não sei. Acho que é uma boa resposta, né?
Tatuador: – Eu perguntei porque também tenho um. E também não sei o porquê.
Pronto, eu não voltaria atrás Parte II.
3) Pelo nervosismo, ele notou que era a “minha primeira vez”. Preocupado, tentou me explicar como seria a dor quando a agulha começasse a perfurar a minha pele.
Tatuador: – Eu vou fazer só o início, só um pouquinho, pra tu ver como é a dor. Aí eu paro e a gente conversa, tá?
Débora: – Tudo bem [sem acreditar na fofura que era aquela pessoa].
Achei a dor suportável e informei que ele poderia seguir adiante. Cheguei à conclusão de que deve ser costume no estabelecimento indicar o respectivo rapaz para meninas histéricas que resolvem fazer a primeira tatuagem. Constatei que o tatuador realmente era uma pessoa bacana. Revi meus conceitos. Agora, tenho tatuagem.

segunda-feira, novembro 20, 2006

Paradigma da Complexidade

No número 79 da rua Jerônimo Coelho, distribuídas em dois andares, meninas querem alisar as madeixas, senhoras aguardam mais de meia hora com rolos coloridos na cabeça para, depois, ver seus fios de cabelo escassos transformados em volumosos penteados, mulheres bem vestidas colorem as unhas, têm os pêlos depilados, os olhos maquiados. Ao mesmo tempo, cabeleireiros e manicures inventam soluções para os mais diversos problemas. Desde cabelos difíceis até unhas do pé impossíveis. A rotina é essa, pelo menos de terça-feira à sábado, no salão de beleza Danilo Cabeleireiros. Sim, é Danilo Cabeleireiros, e não Danilo’s Hair.
A localização é estratégica. O estabelecimento fica entre a avenida Borges de Medeiros e a Praça da Matriz, no centro de Porto Alegre. Tal posição faz com que grande parte das clientes seja formada por funcionárias da Assembléia Legislativa e do Palácio Piratini. O cheiro de produtos de beleza nada baratos pode ser sentido no ar. Um luxo. Sonoramente, além do burburinho inquieto das conversas entre cabeleireiros ligeiros e clientes com sede de beleza, escuta-se o barulho frenético e não muito agradável de secadores de cabelo das mais diferentes cores...

*A pessoa entra na faculdade lendo Caros Amigos e termina o curso assinando a Trip. Além disso, escreve matérias sobre salão de beleza, por livre e espontânea vontade. Nem o Morin explicaria tal fenômeno complexo.

quinta-feira, novembro 16, 2006

É porque dói na alma...

Quando ouvi a Cíntia Moscovitch contar que não abria os livros escritos por ela depois de impressos, achei estranhíssimo, quase impossível, uma insanidade. Pensei comigo: como ela não aproveita para curtir o filho depois do nascimento?
No entanto, a justificativa da referida escritora se revelou sábia: “Sempre tem um erro que ninguém viu, repetição de palavras ou falha de editoração”. Achei compreensível, mas, ainda assim, exagero. Agora entendo plenamente o drama da Cíntia. Cada vez que pego a monografia para dar uma olhada “de leve” encontro erros bizarros e imperdoáveis. Dói o coração, pois não tem volta. São equívocos que vão ficar para a posteridade. Mas, veja bem, se até a Cíntia Moscovitch passa por isso...
Tá decidido: não olho mais!

quarta-feira, outubro 25, 2006

E depois.

Duas coisas me atormentam atualmente: o fato de que sou quase jornalista (até banida da grande imprensa – devido a corte de gastos – eu já fui, ponto importante no currículo) e a tragédia de estar produzindo uma monografia interminável. Por que tudo é mais interessante que escrever e finalizar o trabalho de uma vez? Até pintar as unhas de esmalte cor café parece mais atraente do que encarar o bendito arquivo do word. Ou comer plic-plac e tomar chimarrão. Ou ligar pra minha mãe e discutir os gastos da formatura. Ou ler o caderno Viagem da ZH. Ninguém me avisou que parir a monografia era tão difícil. E se alguém avisou, eu não acreditei. Mas a pior parte, com certeza, ainda está por vir. Mais dolorido que terminar a mono deve ser acordar no dia seguinte à formatura.

P.S. O ponto no título é homenagem ao jornal O Sul.

quarta-feira, setembro 06, 2006

Ex-blog

Alguém sabe explicar como o Cesar Maia tem um "Ex-blog"?

domingo, setembro 03, 2006

Infância

Primeira série, sete anos de idade, paredes coloridas de uma sala de aula antiga, o piso um tanto quanto velho e sujo. A madeira rangia quando a gente pisava. Classes verdes e cadeiras de madeira escura. Cerca de vinte alunos, talvez um pouco mais. Tocos de gente. A professora – linda, loira e olhos azuis – em nada ficava devendo à “Professora Helena”, do Carrossel. Um sonho de profe! Tudo lindo até o dia em que ela explicou como seria a avaliação dos aluninhos. Em vez de prova, faríamos uma atividade lúdica, mas valendo nota. A avaliação consistia em imitar uma propaganda de televisão. Só. Era fazer isso e passar de ano. E férias. Mais fácil impossível. Eu lembro dos colegas empunhando pastas de dente da “Colgate” e pronunciado constrangidos algo como: “Compre Colgate e seu sorriso ficará...”. Quando me dei conta que teria de atravessar a fila interminável de classes com cadeiras com projetos de pessoas à minha frente, segurar um produto e imitar alguma propaganda ridícula de TV diante do opressor quadro negro e dos mais opressores ainda olhares alheios, tive a exata certeza de que eu não faria o exercício. “Débora, tu tem que fazer, vai ficar sem nota.” Bem que a professora Lúcia Helena tentou, falou com jeitinho no início, depois foi incisiva: “Vais rodar”. Resolveu conversar com a minha mãe, que me chamou para um papo sério. “Mãe, eu rodo, mas não faço.” Eu lembro menos do pânico da vergonha iminente, e mais da absoluta convicção de que não enfrentaria a turma inteira. Eu queria ficar resguardada na minha timidez e fui chamada a me abrir ao mundo. A resposta foi não, definitivamente. Minha trajetória escolar recém começara. Aos sete anos, estava preparada para rodar, ficar um ano atrasada na escola, ser a desonra da família. Bom, para a psicóloga não ia adiantar me mandar, pois eu já freqüentava consultório a essa altura. Foram minutos, horas, dias de tortura. Colgate não, de jeito nenhum. Não faço e pronto. Repito de ano. Choro. Sapateio. É claro que isso deve ter gerado mais comentários na escola do que se eu tivesse feito a tarefa. Não teve jeito. Minha mãe ficou responsável por explicar à professora a dimensão da minha timidez sem fim. Acho que ela entendeu, pois passei de ano, rumo à segunda série. Eu e a minha fobia de olhares alheios.

* A professora Lúcia Helena, hoje com 51 anos, está no Orkut, linda, loira e com 252 amigos!

quinta-feira, agosto 17, 2006

Perfil de um anônimo

Enquanto ele não gira a chave na ignição e os passageiros não ouvem o barulho do motor, aproveita para puxar conversa, mais uma de tantas, quase sempre começando por “vocês que são jornalistas, me digam o que vocês acham sobre...”. Se o assunto não vinga, ele encontra outro. Ou se mete nos comentários que circulam. Ou larga uma frase solta como “os meus filhos acham que eu sou banco, veja só como estão as coisas, essa garotada...”. Na maioria das vezes encontra um interlocutor disposto a trocar idéias, mesmo que 40% dos passageiros estejam completamente calados, sonolentos e pensando em chegar o mais rápido possível até suas camas. De segunda a domingo, exceto nos dias de folga, ele, cafuzo, cabelo afro, pele morena, olhos puxados, sorriso de Jair Rodrigues (os dentes brancos, parelhinhos e freqüentemente à mostra), tem a incumbência de deixar na porta de casa jornalistas e estagiários que vêem terminar mais um dia de trabalho.
Ele não é “o motorista”. É “o Sandro”. Pode ser que já tenha passado dos cinqüenta anos. Talvez tenha até cinqüenta e cinco, ou seis. O porte físico também se assemelha ao de Jair Rodrigues. Magro, mas nem tanto. Forte, mas nem tanto. Estatura média. O sotaque mostra que do Sul ele não é. Não chia como os cariocas, mas quase chega lá. Talvez por causa vida de caminhoneiro que levava pelo Brasil afora, seu sotaque original de amazonense tenha se diluído, se transformado em um falar híbrido. O fato é que, embora durante muito tempo tenha viajado pelo país, agora está fincado em Porto Alegre, e percorre diariamente um trecho simples. Mas ao mesmo tempo complexo. Tem de lembrar que hoje deve pegar primeiro a Avenida Ipiranga, já que a moça que desce próximo à Bento Gonçalves está de folga. Depois Santana, Venâncio Aires, Lima e Silva, José do Patrocínio. Depois centro, Demétrio Ribeiro e algumas outras. Deve pensar “moram bem esses jornalistas e ainda reclamam”.
Dirigindo, não é o exemplo maior de respeito às regras do trânsito. Tanto que às vezes é xingado por taxistas ou motoristas comuns, após cortar a frente de outro veículo ou fazer ultrapassagens em parte perigosas. Parar no sinal vermelho também não é o seu forte. Mas desde a primeira pessoa que deixa em casa, no bairro Medianeira, até a última, no Petrópolis, percorre com desenvoltura grandes avenidas e ruas estreitas.
No caso das mulheres, ele espera que elas coloquem a chave no portão do prédio. Da mesma maneira que fazem os pais ou tios, que não arrancam o carro enquanto enxergam alguma possibilidade de perigo. O mesmo zelo não é reservado aos homens. Deve pensar “esses se viram por aí”.
Sandro conta histórias. Dá risada. Sorri seu sorriso de Jair Rodrigues, que em alguns momentos chega a irritar de tão faceiro. Gosta de dirigir e de estar entre jornalistas, perto da notícia e das pessoas que a dão forma, tendo entre essas um pequeno poder, o de devolvê-las sãs e salvas às suas casas, aos seus filhos, maridos ou namorados, travesseiros e lexotans. Com um singelo, porém firme, “bom descanso”, às vezes oferecido apenas por educação, e noutras com carga profunda de sinceridade, abençoa quem desce do microônibus e entra novamente em seu mundo particular.

sexta-feira, julho 28, 2006

Tens o telefone dele?

Descobri que quero segurar o tempo e entrevistá-lo. Ele faz o que quer com a gente, assim, no mais. Simplesmente não dá. Não é justo. Alguém precisa dar um jeito nisso!
No momento, sinto que preciso congelar o último semestre da faculdade de Jornalismo. As aulas ainda nem começaram e eu já iniciei a listagem mental de tudo que sentirei falta quando a formatura chegar (amigos – conhecidos – aulas legais – aulas chatas – os professores de verdade – o capuccino – a cerveja da sexta-feira à noite). Alguém por aí tem o contato do tempo? Se não tiverem o telefone, pode ser o e-mail mesmo.

quinta-feira, julho 20, 2006

A frase

Tudo acaba. Desde o amor até a Varig.
Não podia deixar a frase passar em branco, mas a autoria eu não divulgo.

quarta-feira, junho 14, 2006

Já que alguns loucos gostaram...

Na disciplina de Produção de Revista, fomos chamados a escrever uma crônica. Tema livre (nada me dá mais medo). Superei a crise de inspiração e cumpri a tarefa. Aí vai o texto me custou uma noite de sono:


O mito da quantificação

Quantas Barbies enfileiradas seriam suficientes para dar uma volta ao mundo? Trezentos e sessenta e cinco miligramas de silicone é muito, bom ou pouco? Quantos casos Deborah Secco teve nos seis meses que antecederam seu namoro com o músico Falcão? Três anos é o tempo que um bom casamento leva para entrar em crise?
Jornais, revistas e internet vomitam diariamente estatísticas, probabilidades, números inutilmente valorizados. E lá vai a sociedade, anestesiada com a enxurrada de informações que recebe, incorporando o mito da quantificação. O amor, o prazer, a dor, a saudade, a angústia, o vazio: tudo é quantificável, medido. A vida é número, acredite! Tudo em cinco vezes sem juros. Desconto de 10% à vista ou no cartão. Tudo por R$ 1,99.
O que dizer do melhor amigo do homem? Sim, o celular. Sem ele ninguém vive. Alguns aparelhinhos luminosos, vibrantes e barulhentos têm capacidade para armazenar 500 números de telefone. Agora, alguém me diz, pra que isso? Providos de calculadora, cronômetro, calendário, despertador, ajudam os pobres mortais a tentar parar o tempo, que escorrega, foge, some. Não existe mais. Passou.
A sensação é de que vivemos numa permanente contagem. E regressiva. Horas, minutos, segundos. O tempo passa cada vez mais rápido. O dia ideal deveria ter, no mínimo, 30 horas. As 24 que temos não dão para nada. O próximo ônibus passa daqui a 15 minutos. Até as duas, mulher não paga. Corra, senão sai mais caro. Calcule, para ver se dá tempo.
Na televisão, mais números. A bolsa de valores, os últimos dados de pesquisas do IBGE, da FEE, do DIEESE, concorrem no quesito relevância com a previsão do tempo, que cada vez ganha mais espaço. Saber as máximas, mínimas e médias do dia é indispensáveis para quem está prestes a pôr o nariz para fora de casa. E se no aconchego do lar não deu para ver que temperatura fazia lá fora, as avenidas das grandes cidades salvam! Informam hora e temperatura exatas. Minutos e graus, perfeito, espetacular.
Números, muitos números, para alimentar uma sociedade na qual as pessoas fingem que somam, que multiplicam, quando na verdade subtraem o que vale à pena. Quantifiquemos, para agüentar viver o “menos pior”.

quinta-feira, junho 01, 2006

Resolução inevitável

Depois de começar a rezar para que o semestre acabe de uma vez, resolvi seguir a grande tendência dos alunos da Famecos (segundo Maikio Guimarães): Penso, logo desisto.

sexta-feira, maio 26, 2006

Eu queria ter uma bomba (Cazuza)

Solidão a dois, de dia
Faz calor, depois faz frio
Você diz "já foi" e eu concordo contigo
Você sai de perto, eu penso em suicídio
Mas no fundo eu nem ligo
Você sempre volta com as mesmas notícias



Como alguém escreve isso, assim, no mais?

quinta-feira, maio 18, 2006

É própria!

A vida tem uma dinâmica própria, ninguém me convence do contrário. Um dia a gente acorda e mudou de emprego. Outro dia a gente acorda e mudou de casa. E a gente fica feliz, comemora. E a gente bebe. Não adianta fazer o detalhamento dos planos para o ano, o semestre, o mês. Tudo vai acontecer no momento que o universo considerar adequado e conspirar a favor. E ele conspira. Demora, mas conspira. Aí a gente fica feliz, comemora. Aí a gente bebe. Dá a sensação de que dedicação realmente é algo que posteriormente tem reconhecimento, que não existe sorte, mas merecimento sintonizado com o poder dos astros. Tem dinâmica própria sim!
Tradução da divagação acima:
- O “open house” (como diz o meu tio) acontece daqui a um mês;
- Na próxima semana já estarei trabalhando no “melhor jornal do Rio Grande do Sul”.

sexta-feira, maio 12, 2006

Se a vida dói, drinque caubói!

Troquei de paixão (literária, imaginária, platônica). Chega de Daniel Galera. Bom mesmo é o Xico Sá!
Acessem http://carapuceiro.zip.net
Mas aviso, ele é meu!

quarta-feira, maio 03, 2006

Mitos

Ontem à noite, em alguns minutos de conversa com o jornalista Heródoto Barbeiro por telefone, percebi que o mundo não funciona exatamente como eu pensava. Era uma entrevista e, para minha surpresa, ele não tinha todas as respostas para as minhas perguntas. Mas manteve a pose, respondeu só o que quis (parecido com o que alguns políticos fazem, sabe?) e no final disse "um abraço".
O som das duas palavrinhas ecoou no quarto da minha irmã, por causa do viva-voz e da ausência de móveis, claro, e não de efeitos especiais. Fiquei ali parada, refletindo sobre o que o Heródoto tinha dito (e principalmente sobre o que ele não tinha dito). O sentimento foi mais de frustração do que de tarefa cumprida. "O homem não respondeu nada!", pensava eu, transitando entre indignação e raiva.
Sempre tive o hábito de cultivar ídolos intocáveis. Eles lá no alto, eu próxima ao solo. Mas quando esses seres passam a fazer parte do meu mundo real, quando demonstram seu caráter humano, tudo desaba. Perco o chão e também os sonhos. Aí é hora de descobrir outros deuses.