quinta-feira, abril 17, 2008
Vê se eu posso com isso
A que ponto a coisa chega...
segunda-feira, março 31, 2008
Casinha do cachorro
Foi na década de 1980. Não lembro ao certo se ela tinha 3, 4 ou 5 anos quando o fato ocorreu. O que sei é que inventou uma maneira inconseqüente e criativa de fugir dos olhos nem tão atentos da empregada responsável por cuidar das crianças e da limpeza da casa. Numa tarde qualquer, se escondeu dentro da casinha do cachorro, que ficava no pátio de chão batido. A rua em frente – cenário de suas brincadeiras com amiguinhas e amiguinhos – era asfaltada, mas calma. Garantia que as crianças por ali ficassem livremente até o anoitecer, sem que os pais enlouquecessem, sem que grandes preocupações os perturbassem. Bem, voltando à casinha: deve ter sido construída pelo irmão mais velho ou mesmo pelo pai. Era azul e de madeira, acho. E grande, já que abrigava um vira-lata de média estatura. A menina lá se abancou, bem faceira, e levou algumas bonecas. Passou a tarde brincando. Enquanto isso, a empregada andava histérica à sua procura pela vizinhança, batendo de porta
Hoje, Luciana, minha irmã, a filha do meio (que sempre achou ruim ser a-do-meio), protagonista desta história real, completa 25 anos. Deu vontade de tornar público um pequeno (mas significativo!) fragmento da biografia dela. Foi a minha parceira de infância. Agora, é companheira de apartamento. Desde sempre, a pessoa com quem travo brigas homéricas seguidas de risos e demonstrações de afeto.
quinta-feira, fevereiro 28, 2008
A graça de prometer e não cumprir
Se eu fosse uma pessoa séria, prometeria e cumpriria o que segue:
*Periodicidade na academia, três vezes por semana e nunca menos do que isso (com o 2.4 batendo na porta, não há desculpa furada que cole).
*Começar a leitura de “Os Sertões” pela vigésima vez e concluir!
*Agilizar aquela pós-graduação.
*Ligar mais para os amigos que quase não vejo. Ligar mais para os que vejo sempre. Ligar para a minha mãe antes que ela ligue dizendo que eu nunca ligo. Ao mesmo tempo, controlar os gastos com telefone e tentar arrancar algum desconto mensal expressivo da GVT.
*Passar a anotar todos os compromissos na agenda, não contar com a capacidade mental de guardar tudo (sei que não funciona).
*Ir ao cinema com mais freqüência (abandonar a desculpa de que meus horários são "complicados").
*Aumentar a média de livros lidos por mês.
*Assinar alguma revista.
*Lembrar que a poupança do Banco do Brasil não vai crescer se eu continuar escolhendo somente a opção "ver saldo" na tela.
*Beber menos, em alguns casos.
*Beber mais, em outros.
*Começar a gostar de vinho.
*Parar um pouco de ler biografia de gente louca e de ficar afetada com as histórias de vida desse povo.
*Não detestar a psicóloga.
p.s. não olharei este post no final do ano.
sexta-feira, fevereiro 22, 2008
“Vocês acham que velho não faz Carnaval?”
Ficar
Segundo a noiva, que buscava um par, logicamente, e encontrou (!), rachar a conta está absolutamente fora de cogitação. Esqueça o “cada um paga o seu”, recomendou. Mas, por outro lado, é preciso ter a manha. “Tu não pede alguma coisa e faz ele pagar, tu sugere discretamente, dá a entender, e aí ele paga”. Seria algo do tipo: “Ai... como cairia bem uma champagne agora...”.
Se me contassem, eu não acreditaria. No entanto, testemunhei. O “noivo” surgiu, vindo de algum baile da terceira idade, e não pensou duas vezes antes de sentar junto às irmãs setentonas. Pagou champagne, guraná, comidinha. As duas se esbaldaram. Em uma espécie de pingue-pongue-do-amor-livre, hora o noivo estava sentando ao lado de uma, hora de outra, recebia carinhos na nuca e mandava baixar mais bebida. No momento em que a ala vinte-e-poucos-anos decidiu dar adeus aos novos-velhos-amigos, a frase do “noivo” resumiu a noite: “Vocês acham que velho não faz Carnaval?”.
Ok, não acho mais.
quinta-feira, fevereiro 21, 2008
Progressistas, malucas e sensacionais
Maysa: "Gauchinha de merda, você não canta nada".
Elis Regina: "Não me provoca não, sua pinguça".
Em seguida, voou uma garrafa de uísque. Roberto Menescal a teria segurado no ar, antes que o pesado objeto atingisse Elis.
Maravilhosamente doidas essas duas.
*quem conta é Lira Neto (Editora Globo, 2007) em "Maysa – Só numa multidão de amores"
quarta-feira, janeiro 23, 2008
Eu é que sei, não venha me dizer
terça-feira, janeiro 15, 2008
Meta para 2008: sentir menos sono, se é que isso é possível
Eu juro que, neste ano, quero sentir menos sono. Para que se tenha idéia da gravidade da situação, sou o tipo de pessoa que dorme até em pé, como os cavalos. Com um sofazinho ou uma cama disponível, aí o estrago é realmente feio. Durmo a hora que for, após ter tomado chimarrão, café ou red bull, com a barriga cheia ou vazia, com sono atrasado ou não, de ressaca... bem, aí nem se fala. Posso até colocar o celular para despertar, mas quando o aparelho começa a fazer aquele barulho desgraçado, aperto o dedo contra alguma das teclas que nunca sei qual é e o som cessa. Até chego a pensar "preciso levantar agora", mas a dormência que toma o meu corpo não permite. Sinto como se mãos ou correntes ou cordas me amarrassem à cama, como nas matérias do Diário Gaúcho em que mães acorrentam os rebentos viciados em crack junto ao
móvel. O problema é que, quando acordo, penso em todas as coisas que deixei de fazer, que estão pendentes, que eu não terei tempo de concretizar depois. E me arrependo por ter tomado o caminho mais fácil. Livros que deixaram de ser lidos, passeios na Redenção que ficaram só no plano imaginário, visitas aos amigos que não foram efetivadas. Eu viveria mais se dormisse menos. 2008, vê se dá uma ajuda: eu tenho tanta coisa pra viver...
sexta-feira, dezembro 28, 2007
A Lista*
Faça uma lista de grandes amigos
Quem você mais via há dez anos atrás
Quantos você ainda vê todo dia
Quantos você já não encontra mais
Faça uma lista dos sonhos que tinha
Quantos você já desistiu de sonhar!
Quantos amores jurados pra sempre
Quantos você conseguiu preservar
Onde você ainda se reconhece
Na foto passada ou no espelho de agora
Hoje é do jeito que achou que seria?
Quantos amigos você jogou fora
Quantos mistérios que você sondava
Quantos você conseguiu entender
Quantos segredos que você guardava
Hoje são bobos ninguém quer saber
Quantas mentiras você condenava
Quantas você teve que cometer
Quantos defeitos sanados com o tempo
Eram o melhor que havia em você
Quantas canções que você não cantava
Hoje assobia pra sobreviver
Quantas pessoas que você amava
Hoje acredita que amam você
*Oswaldo Montenegro
quarta-feira, novembro 14, 2007
Na linha de tiro, eu entendi
[idos de 1990] Não sei a idade ao certo, mas acho que lá pelos 10 anos de idade eu costumava acompanhar meu pai em incursões no mato para ele treinar a pontaria. Minha irmã morria de medo. Eu gostava. O tiro ao alvo do meu pai era “roots”. Nada de proteção para o ouvido ou alvo refinado. Ele levava uma tábua, um pedaço de pau que fazia as vezes de vítima. Acho que usava telhas também. Enfim, tudo feito sem glamour, a vida como ela é. Eu curtia. Olhava atenta. Tentava entender a velocidade do projétil. Depois, buscava os cartuchos correndo. Fazia o papel de auxiliar. E no dia em que ele ofereceu “Quer atirar?”, eu não pensei duas vezes.
Pena que a gente nem imagina. Os momentos-chave vividos na infância deveriam vir acompanhados de legenda: “Guarde isso em alguma gaveta confiável do seu cérebro. Será de extrema importância para compreender fatos subseqüentes”. Mas não é assim que a banda toca, infelizmente.
[final de 2007] Era hora de apertar o gatilho e a experiência dos tempos de criança pouco importava naquele momento. Havia platéia. Jornalistas olhando, colegas de trabalho, brigadianos. E o pior. Meu pai não estava ali para dizer como eu tinha que posicionar a perna, como pegar o revólver e, principalmente, não estava ali para segurar a arma comigo e ficar na retaguarda para o caso de a força do disparo jogar o meu corpo para trás. Então eu entendi tudo. Aquele tiro era meu, sem a ajuda de ninguém, sem proteção paterna. A coisa agora era comigo. Doze disparos em seqüência, dois deles calculadamente mirados e acertados no peito do alvo. O resto foi “barberagem”. Tiro na mão do boneco e outros nem perto.
Se não fosse a experiência de acompanhar os treinamentos do meu pai, dificilmente eu teria participado da instrução de tiro da BM. Aliás, eu nunca teria ido, vamos falar a verdade. E o mesmo serve para diversas outras situações em que eu não teria me metido se não fosse a influência policialesca dele. Sensação de perigo iminente, aceleração do coração, mira, barulho ensurdecedor, cheiro de pólvora, adrenalina. Entendi meu pai, a ausência dele, o olhar dispersivo, a vontade de que as filhas aprendessem a dar o próprio tiro. Há dez anos, ele estava me ensinando a crescer, estávamos crescendo juntos, e eu nem imaginava isso.
terça-feira, setembro 18, 2007
Escolhi o jornalismo porque sou imitona
segunda-feira, setembro 03, 2007
Já vai tarde, agosto
Agosto, deu pra ti, cansei, vaza, pica a mula, abre fora, te manda, vai.
*Post deslocado, escrito no dia 31 de agosto e publicado em 3 de setembro porque a autora não sabe onde anda com a cabeça e esqueceu a nova senha do blog.
quarta-feira, agosto 22, 2007
A vida não tem paetê e lantejoula*
Às 22h40min, Paulo Markun suspira antes de comentar, com ar ranzinza e cara de sono: “Acordei às cinco da matina. Quem mandou não estudar?!”. Aí eu percebi que tinha valido a pena ir até a TV Cultura para participar da platéia do Roda Viva.
Reflexão 1) A preguiça existe para todos, inclusive os que disfarçam bem.
Reflexão 2) O jornalismo é mesmo coisa de gente masoquista.
Instantes depois, quando rodou a vinheta do programa, outra pérola: “É nóis na fita”. Uma tradução possível seria: “pessoal, preparem-se, vai começar”. Moderninho o Markun.
O programa tem início. Enquanto ia ao ar a matéria que explica quem é o entrevistado (no caso, o ministro dos Esportes, Orlando Silva) e qual será o tema da noite, escuto alguém assuar o nariz muuuito alto e penso: “Meu Deus, quem está fazendo isso?”. Surpresa! Era o Paulo Caruso, com um lenço de pano, sem vergonha nenhuma.
*frase de Elis Regina, que sabia tudo sobre o valor da simplicidade.
segunda-feira, agosto 20, 2007
Conselho de pai: "Pisa no pescoço"
quinta-feira, julho 12, 2007
Motivo pra rir durante uma semana
oi debora. estava procurando noticias do salao danilo, e te achei, pelo que entendi tu trabalhas la nao?? eu ja trabalhei no danilo a muitos anos atras(nao,nao sou velho tá?)e agora tô vendo se volto. tu é cabeleireira?eu tô fazendo o curso e tenho algumas clientes que atendo a domicilio, sempre é bom falar com alguem do ramo.se puder me dar teu email, o meu é falavigna.cristiano@gmail.combjusss !!!!!!
10:58 AM
*Dei de cara com esse comentário hoje no blog. Gargalhei. Muito. Freneticamente. Me imaginei alisando madeixas alheias, transformando rostos a partir de cortes de cabelo modernos! A realidade é que eu fiz uma matéria sobre o salão do Danilo. Só. Não houve observação participante nem nada. Coisa incrível o ruído-nosso-de-cada-dia na comunicação.
terça-feira, junho 05, 2007
Porque a idade está aí
– Qual da linha Chronos tu acha que eu devo usar?
No mesmo instante em que fazia a pergunta para uma amiga, não acreditava que tais palavras estavam saindo da minha boca, muito naturalmente, por sinal. Pois bem, prestes a completar 23 anos, decidi que deveria ligar sim para as marcas que o passar dos anos esculpe na pele.
– Tem que ser o que se usa a partir dos 30 anos – disse, bem séria numa mesa de bar, a amiga-e-consultora-da-Natura.
Antes disso, eu já tinha colocado a minha avó na parede.
– Conta pra mim qual é o segredo, vó. A senhora, que tem a pele tão bem cuidada...
– Olha, tem que passar creme. E começar a cuidar antes das rugas aparecerem, porque depois já não adianta.
Então fiz pesquisas. Consultei outras representantes da classe feminina. E sites também. Anti-rugas é coisa do passado! Agora se fala em anti-sinais, o que, cá entre nós, soa bem mais agradável. Nunca me imaginei numa situação dessas, pedindo conselhos para as pessoas sobre como barrar o aparecimento das tais marcas de expressão.
Antes eu pensava: “Uma pessoa sem rugas é uma alguém que não tem história, que besteira lutar contra isso, blá blá blá”. Quanta bobagem, Débora Cruz! Pensamento de quem ainda não tinha adentrado a casa dos 20.
Agora mudei, confesso. Como parte da transformação conceitual, poderia citar que pé-de-galinha é algo a ser evitado, riscado do caderninho. O excesso de sardas também. Protetor, muito protetor solar, inverno e verão. Cuidados mil. Promessas de começar a malhar, de comer mais frutas. Ai, ai... o que a idade não faz.
sexta-feira, maio 18, 2007
Sem cabimento, mas faz rir
quarta-feira, maio 16, 2007
A filosofia e o banho
Mas uma pessoa normal (se é que esse conceito existe) não passa 17 minutos de banho pensando só nisso. Na seqüência, vieram os seguintes flashes de pensamento (não necessariamente nesta ordem): atenienses, pós-modernidade, espartanos, quarta-feira de ofertas no Zaffari, positivismo, Toddy (comprar urgente!), Morin, erva para o chimarrão (aquela que já vem com chás), dicionário de francês, mercado de trabalho, essência do ser humano, cortar o cabelo amanhã (sem falta!), pré-socráticos, moral cristã.
Ao fim de tudo, afogada em reflexões inúteis e de banho tomado, lembrei do mais importante: esqueci de pegar a toalha!
quarta-feira, maio 09, 2007
Sinônimos da palavra cuidado
“Vai com Deus”
“Te agasalha”
“É pouco cobertor”.
domingo, maio 06, 2007
Ana em movimento
– Oi, tudo bem? Eu sou a “ficha 2”!
Pronto, homem que sabe fazer rir ganha pontos. E foi assim que ele conquistou lugar na mesa das quatro (o que havia sido negado minutos atrás a um quarentão que resolveu importunar as moças) e conquistou também lugar na cama de Ana por três anos.
O que o impulsionou a levantar e tentar a sorte foi o sorriso de Ana. Entre um gole de cerveja e outro, ela ria como se não conhecesse as desgraças do mundo. Tratava-se de uma pessoa completamente entregue a um momento simples, leve e feliz. Ele sentiu necessidade de estar perto daquela felicidade, daquela leveza. Então veio a idéia da ficha, muito bem-sucedida, por sinal, e Ana não dormiu sozinha naquela noite.
Três anos depois, naquele mesmo bar, ela tentava explicar que precisava urgentemente voltar a rir com vontade, como uma alienada! Ele entendia, mas não admitia. Antes, queria o sorriso de Ana. Agora, precisava dela. E o que mais dificultava a felicidade daquela mulher de vinte e poucos anos era saber que ele queria compartilhar o que quer que fosse, talvez até a infelicidade. Pra ela, a vida era outra coisa. Nada de estar junto na alegria e na tristeza, dividir a depressão. Preferia sofrer solteira, até porque as chances de o sofrimento acabar mais rápido seriam bem maiores.
Ana tinha uma necessidade profunda de deixar o sorriso voltar à face, mas a decisão era difícil.
Ainda assim, sabia que tinha ficado com a fatia menor do sofrimento, e que em pouco tempo estaria apresentando outro homem ao seu travesseiro.
quinta-feira, maio 03, 2007
Eu não pensava...
- se perder da mãe no centro de Porto Alegre
- ter medo do mar
- querer colo
- saber de cor a letra de “Lua de Cristal”
- sentir choques no estômago ao dar de cara com situações docemente inesperadas
- gostar de Legião Urbana
- ter a idêntica compulsão avassaladora por negrinho e branquinho que se tinha aos oito anos
- matar aula com peso na consciência
- encher os olhos de brilho ao ver algodão doce e maçã do amor
- ouvir 154 vezes a mesma música
- morrer de vergonha
- pensar que tudo ainda está só no começo.