– Moça, vai uma bala? – perguntou o guri, que aparentava uns 10 anos.
Eu caminhava apressada para pegar o ônibus.
– Não, obrigada.
– Tu é linda, hein?!
“Quê isso, seu piá de merda?!”, pensei, mas não disse. O ônibus estava chegando. Depois, no trajeto, lembrei que crianças são sinceras. Então comecei a rir.
sábado, fevereiro 28, 2009
A crise dos (quase) 25 I
A escolha foi acertada. Última noite de Carnaval, na casa de Portugal, e até rima. Acho que eu era uma das cinco pessoas com menos de 30 no baile.
Olha a cabeleira do Zezé
Será que ele é
Será que ele é
Será que ele é bossa nova
Será que ele ...
E a gente dançando pelo salão.
Taí, eu fiz tudo pra você gostar de mim
Ó meu bem não faz assim comigo não
Você tem, você tem que me dar seu coração
E um coroa me tira pra dançar.
Se você fosse sincera
Ô ô ô ô, Aurora
Veja só que bom que era
Ô ô ô ô, Aurora
Eu danço. Agradeço no final. Ele some. Ufa.
Um pierrô apaixonado
Que vivia só cantando
Por causa de uma colombina
Acabou chorando, acabou...
Volto pra casa cansada e feliz. Pulei Carnaval com os amigos, os vovôs, as tias-gatas. Mas aí paro pra pensar: “Será que eu vou acabar como essas coroas, se produzindo e se perfumando para ir em baile na Casa de Portugal, tipo, aos 60 anos?”.
Débora, sua louca, tu ainda tem 24!
Olha a cabeleira do Zezé
Será que ele é
Será que ele é
Será que ele é bossa nova
Será que ele ...
E a gente dançando pelo salão.
Taí, eu fiz tudo pra você gostar de mim
Ó meu bem não faz assim comigo não
Você tem, você tem que me dar seu coração
E um coroa me tira pra dançar.
Se você fosse sincera
Ô ô ô ô, Aurora
Veja só que bom que era
Ô ô ô ô, Aurora
Eu danço. Agradeço no final. Ele some. Ufa.
Um pierrô apaixonado
Que vivia só cantando
Por causa de uma colombina
Acabou chorando, acabou...
Volto pra casa cansada e feliz. Pulei Carnaval com os amigos, os vovôs, as tias-gatas. Mas aí paro pra pensar: “Será que eu vou acabar como essas coroas, se produzindo e se perfumando para ir em baile na Casa de Portugal, tipo, aos 60 anos?”.
Débora, sua louca, tu ainda tem 24!
quarta-feira, fevereiro 25, 2009
Sobre os privilégios de trabalhar à noite
Sofá da sala na quarta-feira de cinzas, sorvete e pernas pra cima:
Estação Primeira de Mangueira: Déééixxx.
Unidos do Viradouro: Déééixxx.
Beija-Flor de Nilópolis: nove, ponto, nove.
Mocidade Independente de Padre Miguel: nove, ponto, ooito.
Estação Primeira de Mangueira: Déééixxx.
Unidos do Viradouro: Déééixxx.
Beija-Flor de Nilópolis: nove, ponto, nove.
Mocidade Independente de Padre Miguel: nove, ponto, ooito.
segunda-feira, fevereiro 23, 2009
Tio bagaceiro? Eu tenho
Na terra da piada pronta, talvez esse seja o primeiro Carnaval em que eu não precisei ouvir trocentas vezes aquela piadinha infame que tanto me irritava na infância: “Hoje a Márcia* vai ver a Mangueira entrar”. “É hoje que a Mangueira entra?” “Ah, ela já viu a Mangueira entrar ontem.”
Rá. Rá. Rá.
* Márcia é um nome-coringa. Se usa em trote, em post de blog. Márcia serve pra tudo. Inclusive para proteger a reputação das tias.
Rá. Rá. Rá.
* Márcia é um nome-coringa. Se usa em trote, em post de blog. Márcia serve pra tudo. Inclusive para proteger a reputação das tias.
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minha infância foi assim
Luma deveria ficar mais séria
Ver a Luma de Oliveira dando entrevista pra Globo antes de pisar na avenida me fez um pouco mal. Ela sorria o tempo inteiro, mas eu só conseguia prestar atenção nos pés de galinha que saltavam na tela.
O não-dá-mais-pra-disfarçar chega pra todos. É triste, mas consola.
O não-dá-mais-pra-disfarçar chega pra todos. É triste, mas consola.
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quarta-feira, fevereiro 11, 2009
Tá cada vez mais down o high society
Tenho vivido dias ecléticos, circulado em meios sociais muito diferentes em um curto espaço de tempo, o que, no mínimo, rende post para o blog. No fim de semana, alternei banho de sol em Santa Terezinha (que é uma praia tranqüila perto de Tramandaí) e Atlântida, com o detalhe de que o translado foi feito em ônibus pinga-pinga, com gente saindo pela janela e assentos disputados quase a tapa, o que é assunto para outro texto, por sinal.
Hoje comi sushi e risotos frescos – no sentido de coisa-metida-a-besta mesmo – na Padre Chagas. Almoço entre amigas. Papinhos do tipo: "Me conta, fulana, que tu anda fazendo? E o trabalho? E o namorado? E a praia? E a lipo?". Horas depois eu estava no Centro da cidade, mais especificamente no recém-inaugurado Camelódromo, por curiosidade e necessidade, já que tinha umas comprinhas a fazer. "Moça, quê procura? A gente tem tudo", gaba-se o vendedor, com uma lata de Kaiser na mão. Viva a informalidade!
No meu passeio pelo CPC, aprendi que existe um novo termo para produto-pirata: paralelo. Chique, não? “Moça, o original é R$ 40; o paralelo é R$ 20.” Comprar algo “paralelo” até que não parece ruim. “Me dá o original, pra garantir.”
Camelô é tipo shopping, a gente pisa lá e descobre que está precisando comprar milhares de coisas. A vantagem é que, no Centro Popular de Compras, os vendedores se esmeram para vender, se não têm o produto conseguem com o vizinho, sempre dão um jeito e os valores são beeeem mais em conta. Sobre a qualidade... bom, vamos pular essa parte.
Achei o prédio do camelódromo meio inacabado (ou feio mesmo), mas fiquei feliz em ver aquelas pessoas trabalhando com as mínimas condições que um ser humano merece, como teto, por exemplo. Peguei o ônibus e voltei pra casa pensando que, enquanto eles batalham o arroz com feijão de amanhã, o povo da Padre Chagas nem sabe quanto custa um litro de leite. E enquanto uma barriga roncava, eu torrei R$ 25 em um almoço no Riverside’s. Alimentei a engrenagem. Que merda.
Hoje comi sushi e risotos frescos – no sentido de coisa-metida-a-besta mesmo – na Padre Chagas. Almoço entre amigas. Papinhos do tipo: "Me conta, fulana, que tu anda fazendo? E o trabalho? E o namorado? E a praia? E a lipo?". Horas depois eu estava no Centro da cidade, mais especificamente no recém-inaugurado Camelódromo, por curiosidade e necessidade, já que tinha umas comprinhas a fazer. "Moça, quê procura? A gente tem tudo", gaba-se o vendedor, com uma lata de Kaiser na mão. Viva a informalidade!
No meu passeio pelo CPC, aprendi que existe um novo termo para produto-pirata: paralelo. Chique, não? “Moça, o original é R$ 40; o paralelo é R$ 20.” Comprar algo “paralelo” até que não parece ruim. “Me dá o original, pra garantir.”
Camelô é tipo shopping, a gente pisa lá e descobre que está precisando comprar milhares de coisas. A vantagem é que, no Centro Popular de Compras, os vendedores se esmeram para vender, se não têm o produto conseguem com o vizinho, sempre dão um jeito e os valores são beeeem mais em conta. Sobre a qualidade... bom, vamos pular essa parte.
Achei o prédio do camelódromo meio inacabado (ou feio mesmo), mas fiquei feliz em ver aquelas pessoas trabalhando com as mínimas condições que um ser humano merece, como teto, por exemplo. Peguei o ônibus e voltei pra casa pensando que, enquanto eles batalham o arroz com feijão de amanhã, o povo da Padre Chagas nem sabe quanto custa um litro de leite. E enquanto uma barriga roncava, eu torrei R$ 25 em um almoço no Riverside’s. Alimentei a engrenagem. Que merda.
segunda-feira, fevereiro 09, 2009
quarta-feira, fevereiro 04, 2009
Vicky Cristina
Tem dias que eu espremo o cérebro e não sai nada. Nadinha. O drama é grande porque eu sou jornalista e preciso trabalhar. Espremo de novo, espremo mais. E não brota nem uma legenda maisoumenos nem um título razoável muito menos um lead que faça o mínimo sentido. Dá vontade de ir lavar pratos em Barcelona.
terça-feira, fevereiro 03, 2009
O pior release ever

PREFEITURA DE XXXXXXXXX
GABINETE DO PREFEITO
COMUNICAÇÃO SOCIAL
E-mail: imprensa@XXXXXX.rs.gov.br
Jornalista XXXXXX XX XXXXXX XXXXXX
FESTA DOS NAVEGANTES NA PRAIA XYZ
O prefeito de XXXXXXXXX, Fulado de Tal, sua esposa Maria de Tal, o vice-prefeito Beltrano de Tal e sua esposa Neusa de Tal, participaram no domingo (01) pela manhã da Festa de Nossa Senhora dos Navegantes no Balneário XXXXXXXX, um evento considerado tradicional todos os anos e realizado pela comunidade religiosa da Paróquia que leva o nome da Santa.
Aconteceu uma procissão onde os fiéis levaram em um andor a imagem de Nossa Senhora dos Navegantes, da Capela pelas ruas do balneário até a beira mar, junto as ondas do oceano Atlântico, com orações e cantos religiosos.
Após a procissão, foi rezada uma missa na Capela pelo pároco, Padre XXXX, com a participação dos festeiros, Paulo e Maria, e coordenadora da Festa Senhora Edith, um destaque foi a grande participação de veranistas e moradores que acompanharam todo o festejo em homenagem a Nossa Senhora dos Navegantes.
p.s. dá pra acreditar?
quarta-feira, janeiro 28, 2009
As mães e a inocência
Terraço da Casa de Cultura Mario Quintana, no Centro de Porto Alegre, por volta das 16h30min de um domingo escaldante. Na companhia de minha mãe, comemoro a chegada dos pedidos feitos ao garçom:
eu
- Nossa! Eu tava louca por um chope!
ela
- Eu achei que tu ia querer sorvete.
eu
- Nossa! Eu tava louca por um chope!
ela
- Eu achei que tu ia querer sorvete.
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Em nome do bom senso
Depois de ir a 1.327 formaturas, me sinto capaz de dar algumas instruções.
Convidadas:
Favor evitar decotes-sem-noção, roupas levemente transparentes e vestidos que deveriam ser usados na cerimônia de entrega do Oscar. Fica parecendo que a pessoa não sabe que está em uma universidade ou faculdade.
Formandos:
Para os que têm direito a fazer um pequeno discurso quando pegam o canudo, não é muito interessante começar a fala por: "Em primeiro lugar, eu quero agradecer a minha família...", pelo simples fato de que 85% dos formandos farão o mesmo. Favor evitar frases do tipo: “Agradeço o meu pai, que embora tenha todos os defeitos do mundo...”. É formatura e não lavação de roupa suja.
Oradores:
Peloamordedeus, chega dessa história de: "Quem poderá esquecer das festas na casa da Marcinha? E do mau humor do Gabriel a cada manhã? E quando todos foram mal na primeira prova do primeiro semestre da primeira disciplina de seiláoquê?". Ah, por favor, não citem a "pastelina do bar" como uma das maravilhas dos quatro anos vividos na faculdade.
Nas recepções:
Formandos e pais: Não sabem se têm capacidade para discursar? Não discursem. Será melhor para todos.
Convidados: Têm problemas com bebida liberada? Comam antes de beber sem medida. Nunca é demais lembrar. E comportem-se, principalmente se a sua presença é, de fato, relevante para o evento.
Nos bailes:
Para os homens: Não sabem dançar? Não tentem. Bebam. É isso que as mulheres esperam de vocês mesmo.
Para o DJ: Não é todo mundo aderiu à moda “tecno”. Tunti-tunti pode até tocar, mas não a noite inteira. O mesmo serve para funk e pagode. Hits pré-históricos como Whisky a Go-go não precisam ser lembrados.
Para as mulheres: Mesmo que você tenha bebido todas e não saiba mais em que planeta está, dançar o Créu como se ninguém estivesse vendo é constrangedor para todos. Não precisa.
Por último:
Aproveite tudo porque nenhum segundo vivido e sentido neste dia será vivenciado novamente. É uma vez e deu.
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terça-feira, janeiro 20, 2009
Gancho
Hoje, quando você ligar a televisão ou der uma olhada nos jornais, entre os assuntos principais estará a posse do primeiro presidente negro dos Estados Unidos, Barack Obama. O cenário é a cidade planejada de Washington, D.C. Aproveitando o gancho da posse mais badalada de todos os tempos, falarei um pouco sobre a cidade – seus prós e contras – e mostrarei algumas das milhares de fotos que bati por lá.
*como escrevi algumas linhas sobre a minha “experiência internacional” e nunca publiquei, os meus dramas também farão parte do texto que segue
“Maior do mundo”
Se o objetivo é tirar uma foto em frente à Casa Branca, outra no Pentágono e a última no Capitólio, um dia em Washington, D.C. é suficiente. Mas se você procura mais que um retrato posado junto aos símbolos do poder norte-americano, precisará de, no mínimo, dez dias na capital dos EUA.
A cidade, que tem cerca de 570 mil habitantes, é linda, limpa, rica em opções culturais e cosmopolita. Foi planejada em 1870, pelo primeiro presidente norte-americano, George Washington, para abrigar a sede do governo.
A grandeza está nos prédios públicos, muitos deles em mármore branco, nas grandes avenidas, nos vários monumentos construídos em referência a grandes líderes da história do país. É sede do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional. Para os jornalistas e interessados, uma das grandes atrações é o complexo Watergate.
O que quase não se fala no Brasil é que a cidade tem um número elevado de moradores de rua, os quais, em sua maioria, vivem nas praças e se alimentam em McDonald’s e afins (mendigo fino). Além disso, Washington, D.C. tem um dos índices de homicídios mais altos do país. A região da Casa Branca, inclusive, é perigosa à noite. Parte considerável da população é proveniente de El Salvador – restaurantes salvadorenhos são vistos aos montes. Brasileiros? Quase não se encontra. É uma boa cidade para praticar o inglês. Ou o espanhol.
Há o que fazer?
Sim, e muito. Dezesseis museus gratuitos circundam o National Mall, uma espécie de praça, gramado ou parque. Todos integram o Smithsonian Institute, maior complexo de museus do mundo. O Mall, como é chamado, fica entre o Capitólio e o Monumento a George Washington, um obelisco que está entre as estruturas mais altas do mundo. Muita coisa nesta cidade se intitula “mais do mundo”. It’s the U.S.
Ao redor da praça estão o Holocaust Memorial Museum, National Air and Space Museum, National Gallery of Art, National Museum of Natural History, National Museum of American History, National Museum of African Art e mais uns tantos. Para quem gosta de museu, é programa para uma semana inteira. Além dos gratuitos, existem diversos outros, como o Spy Museum, que conta a história da espionagem, e o Newseum, o museu da notícia, inaugurado em 2008 e que aborda a história da imprensa de forma interativa e moderna.
Vá de táxi
Se os museus são de primeiro mundo, o mesmo não se pode falar do transporte público. O metrô, embora lindíssimo, limpo e mais barato que o de Nova York (quem anda dentro de Washington paga de US$ 1,35 a US$ 1,75), serve principalmente os pontos turísticos e cidades vizinhas dos Estados de Maryland e Virgínia.
Caso a sua programação fuja um pouco disso, terá de pegar ônibus. Esteja preparado para o chá de banco na parada, principalmente no fim de semana. Táxi acaba sendo uma boa opção, ainda mais à noite, já que a cidade tem fama de ser uma das mais violentas dos EUA e só pessoas sem juízo, como eu, se arriscam a encarar o bus às 2h da manhã, na companhia de passageiros mal-encarados.
Nightlife
A vida noturna se divide basicamente entre dois bairros, Adams Morgan e Georgetown. O primeiro, mais popular; o segundo, sofisticado. Por uma questão de afinidade (e também considerando o meu poder aquisitivo), circulei mais por Adams Morgan, que reúne bares e restaurantes étnicos. E adorei. Na primeira semana, fui sozinha ao Ghana Cafe, um bar africano. Tomei uma Heineken a US$ 5 (que dor no bolso), sentada junto ao balcão, ouvindo reggae (concessões que a gente faz quando viaja). Acabei ficando amiga do garçom, um ganense simpático. O problema de uma moça-que-viaja-sozinha-mas-tem-namorado é que só pessoas do sexo masculino se aproximam para conversar. E nunca querem só conversar. O garçom, por exemplo, após alguns minutos de papo sobre futebol e carnaval, começou a dar “beliscadas” na minha cintura quando, entre um pedido e outro, passava por mim. Neste momento, você constata: já bebeu, já treinou o inglês e é hora de picar a mula. Na próxima saída noturna, vai a outro bar.
New York é logo ali
Ir de Washington, D.C. a Nova York é uma barbada. A passagem de ônibus é barata (cerca de US$ 40 ida e volta) e a viagem dura aproximadamente quatro horas. Fui em uma sexta-feira e voltei no domingo, sozinha. É impossível conhecer a cidade em tão pouco tempo, mas dá para garantir uma ida ao Central Park, uma caminhada pela Times Square, uma voltinha noturna no Greenwich Village.
E para quando bater o tédio de estar viajando sozinha, o negócio é “se perder”. Andar e andar.
Foi assim, perdida depois de caminhar quilômetros, que eu dei de cara com uma Oktoberfest animadíssima no Central Park. Sem ingresso, entrei de penetra. E não me arrependo. A festa com os alemães está entre as melhores recordações que guardo da viagem.
Ônibus DC-NY:
Ao menos três empresas diferentes fazem o serviço. Reserve (principalmente se pretende viajar no fim de semana, já que muitas pessoas terão a mesma idéia).
*Washington Deluxe Bus
http://www.washny.com
*Dragon Deluxe
http://www.dragondeluxe.com
*Go to Bus
http://www.gotobus.com/washingtondc
Onde sair:
*Bateu o banzo? O Bossa oferece brazilian music às terças-feiras, com show do grupo Clube do Samba, e não cobra ingresso. No fim de semana, ritmos latinos.
Bossa Bistro & Lounge
18th Street, 2463, NW, Washington, DC
www.bossaproject.com
*Começou a pensar que seria melhor ter ido para a África? Ghana Café, no bairro boêmio Adams Morgan, resolve. Os shows de reggae no fim de semana reúnem gente de Ghana, Gabão, Costa do Marfim etc. Oferece comida e bebidas africanas.
Ghana Cafe
18th Street, 2465, NW, Washington, DC
www.ghanacafe.com
*Restaurante e bar latino-americano Rumba Café: há shows de salsa, tango e às vezes rola música brasileira. Caipirinhas e mojitos fazem parte do cardápio. Não cobra ingresso.
Rumba Café
18th Street, NW, 2443, Washington, DC
www.rumbacafe.com
*Música americana e bandas alternativas? O Black Cat conta com shows de bandas independentes de pop e indie rock. O preço varia de acordo com a atração. É bacana.
Black Cat
14th Street, 1811, NW, Washington, DC
www.blackcatdc.com
Onde comer:
No momento em que enjoar de fast food e o desespero bater, vá ao Vapiano, onde se encontra massa bolonhesa, carbonara, etc, pagando cerca de US$ 9,00. O prato é reforçado.
Vapiano (comida italiana – e boa – a preços aceitáveis)
18th Street próximo à M Street, NW, Washington, D.C.
www.vapianointernational.com
Impressões
Com a desculpa de aprimorar o inglês, embarquei no início de setembro para Washington, D.C. O plano incluía um mês de aulas do idioma na capital dos Estados Unidos (com a missão de aproveitar ao máximo a cidade), mais uma ida de fim de semana a Nova York. As economias de toda uma vida foram aplicadas no projeto – veja bem, não é fácil passar um mês brincando de estudante no antro do capitalismo com o salário que recebem os jornalistas do Brasil. Foram 28 dias de contato com uma cultura nova e nem sempre receptiva. No entanto, a aventura compensa. Ao fim da viagem, acabei deixando um pouquinho de mim em D.C. Ficaram por lá uma penca de medos. Voltei mais corajosa, menos etnocêntrica e louca para planejar a próxima viagem.
The book is on the table
As primeiras tentativas de comunicação em solo estadunidense foram traumáticas. A sensação era de que eu estava na China. Meu inglês “tabajara”, adquirido em cursinhos nada baratos feitos durante a adolescência, não deu conta do recado. E os nomes de tudo em inglês? E quem disse que eu lembrava que chinelo é flip-flop?
Samba? Carnaval? Futebol?
Casa de família. Sim, eu tive coragem de fazer esta opção. E graças a Deus o meu quarto era imenso e distante do resto da casa, o café da manhã era farto e incluía granola, a residência, bem localizada.
Melhor ainda é que não existia uma “família”, apenas a dona da casa, uma ex-professora universitária e atual empresária de 50 e poucos anos, e outra hóspede, Carolina, 26 anos, advogada, colombiana e gente fina.
Ainda no Brasil, havia preparado na minha cabeça, in English, uma espécie de palestra sobre o Brasil: Carnaval, samba, futebol. Ia dizer que a coisa não é bem assim, que as brasileiras não passam o ano rebolando, etc. e tal. Para minha surpresa, a dona da casa não perguntou nada. Nem como foi o vôo. De cara me apresentou os eletrodomésticos malucos da cozinha, me deu aulas sobre como ligar e desligar o alarme cada vez que eu saísse ou entrasse em casa. Eu entendi 60% das explicações. Pânico.
A primeira semana foi o caos. Casa estranha, cidade estranha, pessoas estranhas,comida estranha.
Tudo parecia uma conspiração: o ônibus exige que se tenha o valor exato da passagem. A quantia (US$ 1,35) deve ser depositada em uma maquininha, já que não existe cobrador. E se tu não tiveres o dinheiro trocado? Te ferrou, Parte I. A máquina não dá troco e não liga se tu és turista e ninguém te avisou que seria assim.
No metrô, não há uma tabela, placa ou cartaz informando os preços. E de novo tu tens que inserir a grana em uma máquina para comprar o bilhete – esta dá troco, graças a Deus. Os valores variam de acordo com o destino final do passageiro e com o horário. Na hora do rush, andar de metrô sai mais caro. E para descobrir tudo isso sozinha? Te ferrou, Parte II.
Crééééééu
O curso de inglês, cujo valor eu quase precisei vender um rim para pagar, era (sendo generosa) patético. Primeiro: o professor não era americano, e sim coreano. Segundo: as aulas eram do tipo “leia este texto pouco interessante e discuta com o seu colega”. Terceiro (e mais grave): a professora da parte da tarde trabalhava com músicas e palavras-cruzadas. É sério. No primeiro dia ela apareceu com My Way, do Frank Sinatra. Me segurei na cadeira.
Mas nem tudo é choradeira. A troca de experiências entre os colegas foi riquíssima. Passar quatro semanas convivendo com sul-coreanos, colombianos, europeus e árabes fez o curso valer a pena. Cada dia significava uma aula de antropologia.
Não é sempre que a gente olha para o lado e pode trocar uma idéia com um colega do Iêmen sobre a economia global.
No final de uma das aulas, enquanto eu me gabava sobre quão divertido é o nosso Brasil varonil, citando Carnaval, entre outras mobilizações nacionais – os coreanos ouviam as minhas explicações com brilho nos olhos –, um colombiano chamado Alex me trouxe de volta à realidade.
Ele: – Ah, sim, eu tenho um amigo brasileiro que me mostrou um vídeo esses tempos, uma mulher dançando o “créu” – ao final da frase, um sorrisinho desnecessário.
Eu: – É...
Um buraco onde eu pudesse me enfiar, por favor. O Brasil parece bem mais divertido quando a gente olha de fora. Pensei, mas não disse.
E o planeta?
Sempre fui defensora da harmonia entre os diferentes, da boa convivência entre culturas distintas, mas, de repente, me vi odiando os americanos e seus lanches rápidos e suas coca-colas gigantes. Nos bares, à noite, futebol americano passando na tevê (socorro!). Ao meio-dia, andava quilômetros e não encontrava um restaurante “normal”. Só fast food, sanduíches. Quando encontrei um a quilo, não havia pratos, e sim caixinhas de isopor. Os talheres, de plástico. E foi assim durante todo o tempo que eu passei lá: raros restaurantes de comida a quilo, e, por sinal, caríssimos. Isopor no lugar do prato de verdade, do copo de verdade, da caneca, da xícara do café (aliás, que café bem ruim, hein?). Tudo é plástico, tudo é descartável. Haja petróleo.
Controlar o impulso etnocêntrico não é tarefa fácil. “No Brasil isso é melhor.” No início, repeti esta frase internamente trocentas vezes por dia. Até que acostumei. O ônibus já não era estranho, o mapa da cidade entrou na minha cabeça, fui perdendo a implicância. Então pude aproveitar as vantagens de estar na capital do país mais poderoso do mundo. Museus gratuitos, restaurantes étnicos, bares charmosos. Para cada dia, uma programação. E o estômago pode escolher em que país quer se imaginar: Vietnã, Malásia, Tailândia, Japão, China, Coréia, Índia, Ghana, Etiópia, Rússia, França, Itália, El Salvador, Honduras, México. Restaurantes e mais restaurantes. Coisa de primeiro mundo.
Crise? Onde?
Na metade de setembro, eu já perambulava com desenvoltura por Washington, D.C. Foi quando os mercados internacionais surtaram. Sabe que o pessoal lá não andava tão preocupado assim? Pois é, no Brasil se fala mais no assunto, acho. Os programas de tevê priorizavam as eleições. Os debates estavam em alta. Algumas pessoas me disseram que o povo andava comprando menos, deixando de ir a restaurantes, cortando alguns gastos. E só. Quanto ao 11 de Setembro, mesma coisa. Um dia absolutamente normal. O que houve de mais animado foi a inauguração de um memorial no Pentágono. Nada mais.
No, we can’t
Comer/beber no ônibus? Não pode. Comer/beber no metrô? Não pode. Beber cerveja andando na rua? Não pode. Atravessar a rua fora da faixa de segurança? Não pode. Fumar em ambiente fechado? Nem pensar. Aquele papo do Obama, “Yes, We Can”, é furado. Eles não podem nada, vamos combinar. Para entrar nos bares e beber, é preciso ter 21 anos e documento que comprove. Dirigir pode com 16 anos, né?! Vai entender. De qualquer forma, tenho que admitir: as ruas são limpas, as praças, idem. As placas de propaganda dos candidatos não estão por tudo, como no Brasil.
Lá ocorre uma eleição “clean”, pelo menos em Washington, D.C. Plaquinhas discretas em frente a algumas casas. Nos arredores de onde eu morava, predominavam as de Obama. Em Alexandria, cidade vizinha, no Estado de Virgínia, uma colega me contou que só dava McCain.
É o que vale
Pra finalizar, uma homenagem aos "anjos" que me acolheram e socorreram nos States.
Com a melhor roommate: Maria Carolina Corcione

Com Daniela, que me ofereceu o sofá da casa dela nesta noite
Com Hannah, alemã-amiga que se apaixonou por forró
Com Guelly, boliviana que me levou a um restaurante normal
Com Luciana, companheira de museus
Com Amanda, guaibense como eu
*agora, bom mesmo é voltar para casa e poder tomar uma cerveja no boteco mais próximo, a qualquer hora do dia, na companhia de quem a gente gosta, sem precisar pensar que está fazendo algo errado. o Brasil é foda
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segunda-feira, dezembro 29, 2008
Exibicionismo
Alanis Morissette estará em Porto Alegre no dia 10 de fevereiro, com o show Flavors of Entanglement, ao qual eu assisti em setembro nos Estados Unidos. Na ocasião, combinei de comprar o ingresso de um cambista por telefone, porque chinelagem é algo universal, e me mandei para o Constitution Hall de ônibus, com o mapa da cidade na mão, com medo de não conseguir chegar a tempo. Era um dia quente, me lembro, uma segunda-feira, e precisei caminhar mais do que gostaria para estar no teatro, já que o transporte público em Washington, D.C. não é dos melhores. Lá, encontrei o cambista e então se foram 50 e poucos dólares do meu orçamento de viagem, gasto que hoje não me provoca o mínimo arrependimento. Havia o risco de o ingresso ser falso ou de a localização ser péssima. Quando entrei naquele teatro lindo, coisa de primeiro mundo mesmo, e vi a cadeira a qual o ingresso me dava direito, fiquei chocada. Eu não estava na primeira fila, mas era quase isso. Localização perfeita. O único porém foi que eu estava ali sozinha, em meio a uma platéia muito desanimada, porque os norte-americanos são um povo sem graça.
Mas agora eu divido um pouquinho da emoção com vocês:
*agradeço aos amigos com os quais falei brevemente naquela segunda-feira à tarde pelo MSN. Eles me disseram algo do tipo “não pensa, vai sim”. Tinham razão.
**eu sempre detestei esse papinho exibicionista do tipo “já assisti esse show no exterior”. Incoerente e bobinha que sou, tive que fazer o mesmo.
Mas agora eu divido um pouquinho da emoção com vocês:
*agradeço aos amigos com os quais falei brevemente naquela segunda-feira à tarde pelo MSN. Eles me disseram algo do tipo “não pensa, vai sim”. Tinham razão.
**eu sempre detestei esse papinho exibicionista do tipo “já assisti esse show no exterior”. Incoerente e bobinha que sou, tive que fazer o mesmo.
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sexta-feira, dezembro 19, 2008
Sobre o constrangimento nosso do amigo-secreto de cada ano
Amigo-secreto, todos nós sabemos, é sempre uma furada. Tira-se desafetos, quem te tirou não aparece e não há informações sobre o presente ou então você ganha algo muito desnecessário e é obrigado a fazer cena para agradecer. Nos eventos familiares, devido ao grande número de participantes, corre-se o risco de tirar alguém que passou a fazer parte do clã há duas semanas ou um indivíduo que nunca fez parte, mas é convidado para passar o Natal com o grupo, por caridade.
Apesar de todos os contras, quando chega dezembro, não sei o porquê, me bate uma vontade louca de entrar em todos os amigos-secretos para os quais me convidam. É, eu sempre tive tendência masoquista. Este ano, com a graça de Deus, estou participando de dois, porque os colegas de trabalho me fizeram o favor de promover um amigo-secreto restrito (só o pessoal da diagramação), então eu fiquei de fora, feliz por ter sido vetada (e salva!).
Já providenciei as lembrancinhas para o evento entre amigas e o familiar. Este último promete grandes emoções em 25 de dezembro, já que uma das minhas primas, muito espontânea, deixou vazar, na entrega dos papeizinhos, que não gostou muito do resultado. Então metade dos participantes, que flagraram a revelação, está morrendo de curiosidade. Todos loucos para que chegue o Natal de uma vez. Eu confesso que estou com medo. Se for a felizarda, espero estar com muito clericot na cabeça a esta hora, para apenas dar risada. Porque amigo-secreto é isso mesmo, constrangimento e fingimento (exceto o realizado entre amigas).
Apesar de todos os contras, quando chega dezembro, não sei o porquê, me bate uma vontade louca de entrar em todos os amigos-secretos para os quais me convidam. É, eu sempre tive tendência masoquista. Este ano, com a graça de Deus, estou participando de dois, porque os colegas de trabalho me fizeram o favor de promover um amigo-secreto restrito (só o pessoal da diagramação), então eu fiquei de fora, feliz por ter sido vetada (e salva!).
Já providenciei as lembrancinhas para o evento entre amigas e o familiar. Este último promete grandes emoções em 25 de dezembro, já que uma das minhas primas, muito espontânea, deixou vazar, na entrega dos papeizinhos, que não gostou muito do resultado. Então metade dos participantes, que flagraram a revelação, está morrendo de curiosidade. Todos loucos para que chegue o Natal de uma vez. Eu confesso que estou com medo. Se for a felizarda, espero estar com muito clericot na cabeça a esta hora, para apenas dar risada. Porque amigo-secreto é isso mesmo, constrangimento e fingimento (exceto o realizado entre amigas).
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quarta-feira, dezembro 17, 2008
Chega mais, Noel

Caro Papai Noel,
Não sei se fui uma boa menina em 2008. Mas, como eu não sou má pessoa, certamente não provoquei grandes prejuízos à humanidade. Provavelmente tenha sido um pouco egoistinha. É. Talvez tenha brigado mais do que deveria com a minha irmã, com meu chefe, com o namorado. Só que não foram briiiiiiiiiigas homéricas, foram só umas "rosnadinhas". Bem, com a minha irmã foram mais do que rosnadas, mas entre família é assim mesmo que a coisa funciona. Irmão que não briga é um tédio, o senhor sabe. E muita paz faz mal à saúde.
Velhinho, eu chorei um bocado em 2008, principalmente quando passei um mês no Hemisfério Norte tentando entender o idioma que eles falam por lá. Não foi muito produtivo comer porcaria durante 30 dias. E gastei todo o dinheiro da poupança naquelas bandas, mais um bocado do dinheiro da mamãe, tão suado. Me senti egoisitinha. O bom foi que, sofrendo e exercitando o meu lado dramático-nacionalista-xenófobo, esgotei boa parte do estoque de lágrimas, então tenho chorado bem menos, até em épocas de TPM (o namorado agradece). Voltei um pouco adultinha, digamos.
Peço que, em 2009, eu não tenha que me preocupar nem gastar tanto com vazamentos, instalação de ar-condicionado ou conserto do juncker. Foi demais neste ano, o senhor há de convir comigo. Um vazamento no banheiro acabou levando do meu orçamento R$ 500. Consegui comer naquele mês, e olha que nem vendi o corpo. Poupe-me de situações como essa no próximo ano, please. Que os desafios econômicos se restrinjam aos mercados mundiais.

Noelito, estudei menos do que deveria neste ano que se acaba, mas tenho refletido muito sobre em qual curso de pós-graduação devo investir. Prometo concretizar algo em 2009. Eu só tenho 24 anos, vê se dá um desconto.
Agora, o que eu deixei a desejar mesmo foi no quesito "minha contribuição para mudar o mundo". No máximo eu fiz uns discursos por aí, NoelVelho. Ação? Nada. Uma vergonha. Então eu acho que é bem justo tu não caprichar no meu presente, me dar algo bem maisoumenos. Até porque eu ando irritada com essa história de que as pessoas vão gastar uma média de trocentos reais com os presentes de Natal. Economize no meu presente e fuja desta estatística mentirosa, por favor.
Nós dois sabemos que a maioria da população brasileira não tem trocentos reais para queimar em shopping nesta época do ano, aos empurrões e cotoveladas. Essas Câmaras de Dirigentes Lojistas e associações insistem em inventar número que os jornalistas usam em suas matérias mesmo sabendo que tudo não passa de enganação. Vamos lutar contra essa palhaçada, Noelzuco. Juntos.
Então é isso. Você pode me dar um presente meia-boca, porque eu não fiz nada de muito importante para o Planeta em 2008, mas também não me deixa a ver navios, porque eu também não causei grandes prejuízos à humanidade. Com isso a gente boicota as estatísticas, os shoppings e as empresas de cartão de crédito. E no ano-novo estaremos tranqüilos porque não alimentamos o sistema. De repente tomarei uma cidra barata, em uma praia chinela, sem roupa nova nem calcinha amarela! Porque, Noel, em 2009, eu quero simplicidade. Pensar menos em dinheiro e mais em gente. Gastar as minhas energias com o que realmente vale a pena.
Boas Festas e a gente se vê na semana que vem!
Débora Cruz (querendo revolução para 2009).
p.s. Ah, um emprego novo seria muito bem-vindo!
*na foto 1, da esquerda para a direita: Luciana e a boneca nova, meu irmão Júnior, Tio Jorge encarando o disfarce de Papai Noel, meu dindo sentado no chão e eu, acolhida por ele, segurando uma boneca de cabelos azuis, em um dos muitos Natais passados na casa-da-Vó-e-do-Vô.
*na foto 2, Débora Cruz aos 14 anos, fazendo pose junto a ursinhos de pelúcia natalinos em Gramado, faceira na excursão do colégio.
quinta-feira, dezembro 11, 2008
Então eu esperei 24 anos por um presente

É Natal. E de uns anos pra cá esta data tem mexido comigo. Não sei ao certo o motivo. Talvez seja o fato de que a celebração envolve família. E desde que passei a morar em Porto Alegre, o convívio ficou escasso. O coração volta e meia aperta quando penso nisso.
Meu sobrinho já é quase um homem (como eu exagero), meus pais já não têm a mesma vitalidade. Quando reencontro os tios, vejo que o número de cabelos brancos tem aumentado de forma considerável. E eu acompanho tão pouco, aqui, do outro lado do rio.
Bem, mas a questão é que o Natal deixa todo mundo meio sentimental, até quem nunca é sentimental. Hoje é dia 11 e eu já recebi dois presentes referentes à data! Um deles, de uma amiga especial, que é ansiosa e não agüentaria esperar até o dia 25; outro, do meu pai.
Ao visitá-lo no fim de semana, ele me chamou até o quarto, como se tivesse algum grande segredo para contar. Então buscou uma caixinha retangular, estampada com flores verdes e amarelas. Lá fui eu, curiosa. “Isso aqui é pra tu poder tomar chimarrão com uma bomba certa para o tamanho da cuia, pra não precisar ficar usando aquela tua, que é muito grande.”
Ganhei uma bomba de chimarrão linda, feita em ouro e prata, detalhe para o qual eu não ligo muito, mas que o meu pai acha vital. Achei curiosa a escolha dele: presentear-me justamente com algo que nem eu sabia que estava precisando.
Destaco: desde que me entendo por gente, não lembro de meu pai ter me dado algum presente. Sério. Só que eu nunca considerei isso um problema, porque sei que ele é desligado, que não se importa muito com Natal nem com presentes caros em datas criadas para nos levar à falência.
No entanto, admito: a bomba de chimarrão “feita sob medida” me tocou. E eu esperaria mais 24 anos pra ganhar algo tão bem escolhido, tão significativo e ao mesmo tempo tão simples. Natal emociona (tá, pode rir, vai).
quinta-feira, dezembro 04, 2008
Aqui, farroupilha!
No mês de setembro, andava eu pelas ruas e ônibus de Washington, D.C. (eu faço questão de escrever sempre D.C. porque não se trata do Estado de Washington, e sim da capital norte-americana, e eu acho que isso é uma informação importantíssima, embora quase ninguém concorde) a observar o povo e fazer comparações. Bem coisa de quem viajou duas vezes na vida. E um detalhe que eu notei de cara foi que lá as pessoas estão sempre com pressa, muito ocupadas, muito "busy", não têm tempo pra nada. Então é comum vê-las "carregando" o café-da-manhã no ônibus ou mesmo quando caminham pela rua.
Levam um copo de café (meio térmico, meio de isopor, sei lá), com tampa, na mão. Geralmente acabaram de comprar o produto em uma das muitas Starbucks (rede de cafés que é uma praga nos EUA, tem uma franquia a cada esquina) da cidade. Tamanho à la Super Size Me, tipo meio litro. Como eu gosto é de café preto na xícara, não me adaptei àquela água-suja-em-copo-de-plástico-tamanho-família. Mas o bom é que eu olhava para as pobres criaturas e pensava: daqui a pouco eu estarei no Brasil, então não vou precisar ver mais esta gente pálida tomando café fraco em copo gigante. Lembrava dos cafezinhos de padaria, dos de restaurante. O Brasil é lindo. Que saudade.
E aí, de volta a Porto Alegre, eu pego o Rio Branco/Anita (o que tenho feito duas vezes na semana, por sinal) e o que eu vejo? Uma passageira com um daqueles copos de café de plástico com tampinha. Não acreditei. E era do McDonald's o café, pra piorar. Olha, tudo tem limite, principalmente quando o assunto é café, produto brasileiro por excelência. Esta moda de levá-lo no ônibus em copo de plástico não pode pegar. É uma afronta. Eu pensei em falar para a moça do ônibus: "Tu sabe o que significa este copo aí? Tu sabe quantas porcarias os norte-americanos já nos empurraram e a gente saiu comprando? Já não bastam os filmes hollywoodianos? Os lixos da indústria fonográfica? Os reality shows e seriadinhos bestas? Os cremes da Victoria's Secret?".
Acabei ficando na minha, embora não engula essa história e continue com a certeza de que, às vezes, é saudável ser radical. Pra preservar o que é nosso. Pra não vender a alma. Pra dar às coisas, às pessoas (e ao país!) o valor que elas merecem. Café-da-manhã no McDonald's? Aqui, farroupilha!
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quinta-feira, novembro 20, 2008
Será que eu sonhei?
O que a pessoa deve pensar quando está trabalhando, às 20h54min de uma quinta-feira, escrevendo uma nota sobre investimentos no combate à dengue no Brasil e no RS, e um desconhecido insiste em ligar, para o telefone comercial, ou seja, da redação, sendo que o único ruído possível de se escutar do outro lado da linha é uma espécie de karaokê: "Uma deusa, uma louca, uma feiticeira, meu Deus ela é demais"?
**seria uma nova estratégia das assessorias de imprensa para tentar emplacar uma pauta?
**leitor descornado?
**minha irmã fazendo pegadinha?
Não sei. Juro.
**seria uma nova estratégia das assessorias de imprensa para tentar emplacar uma pauta?
**leitor descornado?
**minha irmã fazendo pegadinha?
Não sei. Juro.
Vida é mel, dependendo da década
Não são poucos os momentos em que busco na memória o gosto do algodão-doce, tomada por saudade. O mesmo acontece com maçã-do-amor. Só que essas guloseimas-símbolo da infância e dos parquinhos geralmente não cumprem o que prometem quando se tenta ingeri-las na fase adulta. O estômago não suporta tanto açúcar misturado a anilina. As mãos não encontram jeito de permanecer limpas e tudo parece bem mais nojento do que inocente. Tem coisas que a gente não deveria fazer depois que cresce justamente para preservar o encantamento das lembranças.
quarta-feira, novembro 19, 2008
O cinza-chumbo interior

Tem dias em que a gente só deseja poder ficar jogado no sofá, travesseiro fofinho e edredon, trocar o canal da TV 329 vezes, dormir e acordar e dormir de novo. Trocar de canal mais uma vez. E pensar que o mundo gira sem a nossa presença ou participação. Que bom, já que o desejo maior é ficar ali, escondidinho, abafado, sozinho, quieto. Alienado.
Tem dias em que a gente só deseja poder desligar o cérebro por algumas horas, suspender preocupações com o futuro, que é incerto, todos sabem, mas quase ninguém encara isso de alma leve. A minha pesa, principalmente nos dias sem sol, com muita nuvem e breves chuviscos, pingos sem vontade. Nestes dias, parece que nem a chuva vinga. E é então que a gente só deseja se jogar no sofá, desligar o cérebro, dormir e acordar e dormir de novo. Pra de repente sonhar.
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