Amigo-secreto, todos nós sabemos, é sempre uma furada. Tira-se desafetos, quem te tirou não aparece e não há informações sobre o presente ou então você ganha algo muito desnecessário e é obrigado a fazer cena para agradecer. Nos eventos familiares, devido ao grande número de participantes, corre-se o risco de tirar alguém que passou a fazer parte do clã há duas semanas ou um indivíduo que nunca fez parte, mas é convidado para passar o Natal com o grupo, por caridade.
Apesar de todos os contras, quando chega dezembro, não sei o porquê, me bate uma vontade louca de entrar em todos os amigos-secretos para os quais me convidam. É, eu sempre tive tendência masoquista. Este ano, com a graça de Deus, estou participando de dois, porque os colegas de trabalho me fizeram o favor de promover um amigo-secreto restrito (só o pessoal da diagramação), então eu fiquei de fora, feliz por ter sido vetada (e salva!).
Já providenciei as lembrancinhas para o evento entre amigas e o familiar. Este último promete grandes emoções em 25 de dezembro, já que uma das minhas primas, muito espontânea, deixou vazar, na entrega dos papeizinhos, que não gostou muito do resultado. Então metade dos participantes, que flagraram a revelação, está morrendo de curiosidade. Todos loucos para que chegue o Natal de uma vez. Eu confesso que estou com medo. Se for a felizarda, espero estar com muito clericot na cabeça a esta hora, para apenas dar risada. Porque amigo-secreto é isso mesmo, constrangimento e fingimento (exceto o realizado entre amigas).
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sexta-feira, dezembro 19, 2008
quarta-feira, dezembro 17, 2008
Chega mais, Noel

Caro Papai Noel,
Não sei se fui uma boa menina em 2008. Mas, como eu não sou má pessoa, certamente não provoquei grandes prejuízos à humanidade. Provavelmente tenha sido um pouco egoistinha. É. Talvez tenha brigado mais do que deveria com a minha irmã, com meu chefe, com o namorado. Só que não foram briiiiiiiiiigas homéricas, foram só umas "rosnadinhas". Bem, com a minha irmã foram mais do que rosnadas, mas entre família é assim mesmo que a coisa funciona. Irmão que não briga é um tédio, o senhor sabe. E muita paz faz mal à saúde.
Velhinho, eu chorei um bocado em 2008, principalmente quando passei um mês no Hemisfério Norte tentando entender o idioma que eles falam por lá. Não foi muito produtivo comer porcaria durante 30 dias. E gastei todo o dinheiro da poupança naquelas bandas, mais um bocado do dinheiro da mamãe, tão suado. Me senti egoisitinha. O bom foi que, sofrendo e exercitando o meu lado dramático-nacionalista-xenófobo, esgotei boa parte do estoque de lágrimas, então tenho chorado bem menos, até em épocas de TPM (o namorado agradece). Voltei um pouco adultinha, digamos.
Peço que, em 2009, eu não tenha que me preocupar nem gastar tanto com vazamentos, instalação de ar-condicionado ou conserto do juncker. Foi demais neste ano, o senhor há de convir comigo. Um vazamento no banheiro acabou levando do meu orçamento R$ 500. Consegui comer naquele mês, e olha que nem vendi o corpo. Poupe-me de situações como essa no próximo ano, please. Que os desafios econômicos se restrinjam aos mercados mundiais.

Noelito, estudei menos do que deveria neste ano que se acaba, mas tenho refletido muito sobre em qual curso de pós-graduação devo investir. Prometo concretizar algo em 2009. Eu só tenho 24 anos, vê se dá um desconto.
Agora, o que eu deixei a desejar mesmo foi no quesito "minha contribuição para mudar o mundo". No máximo eu fiz uns discursos por aí, NoelVelho. Ação? Nada. Uma vergonha. Então eu acho que é bem justo tu não caprichar no meu presente, me dar algo bem maisoumenos. Até porque eu ando irritada com essa história de que as pessoas vão gastar uma média de trocentos reais com os presentes de Natal. Economize no meu presente e fuja desta estatística mentirosa, por favor.
Nós dois sabemos que a maioria da população brasileira não tem trocentos reais para queimar em shopping nesta época do ano, aos empurrões e cotoveladas. Essas Câmaras de Dirigentes Lojistas e associações insistem em inventar número que os jornalistas usam em suas matérias mesmo sabendo que tudo não passa de enganação. Vamos lutar contra essa palhaçada, Noelzuco. Juntos.
Então é isso. Você pode me dar um presente meia-boca, porque eu não fiz nada de muito importante para o Planeta em 2008, mas também não me deixa a ver navios, porque eu também não causei grandes prejuízos à humanidade. Com isso a gente boicota as estatísticas, os shoppings e as empresas de cartão de crédito. E no ano-novo estaremos tranqüilos porque não alimentamos o sistema. De repente tomarei uma cidra barata, em uma praia chinela, sem roupa nova nem calcinha amarela! Porque, Noel, em 2009, eu quero simplicidade. Pensar menos em dinheiro e mais em gente. Gastar as minhas energias com o que realmente vale a pena.
Boas Festas e a gente se vê na semana que vem!
Débora Cruz (querendo revolução para 2009).
p.s. Ah, um emprego novo seria muito bem-vindo!
*na foto 1, da esquerda para a direita: Luciana e a boneca nova, meu irmão Júnior, Tio Jorge encarando o disfarce de Papai Noel, meu dindo sentado no chão e eu, acolhida por ele, segurando uma boneca de cabelos azuis, em um dos muitos Natais passados na casa-da-Vó-e-do-Vô.
*na foto 2, Débora Cruz aos 14 anos, fazendo pose junto a ursinhos de pelúcia natalinos em Gramado, faceira na excursão do colégio.
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