Tenho vivido dias ecléticos, circulado em meios sociais muito diferentes em um curto espaço de tempo, o que, no mínimo, rende post para o blog. No fim de semana, alternei banho de sol em Santa Terezinha (que é uma praia tranqüila perto de Tramandaí) e Atlântida, com o detalhe de que o translado foi feito em ônibus pinga-pinga, com gente saindo pela janela e assentos disputados quase a tapa, o que é assunto para outro texto, por sinal.
Hoje comi sushi e risotos frescos – no sentido de coisa-metida-a-besta mesmo – na Padre Chagas. Almoço entre amigas. Papinhos do tipo: "Me conta, fulana, que tu anda fazendo? E o trabalho? E o namorado? E a praia? E a lipo?". Horas depois eu estava no Centro da cidade, mais especificamente no recém-inaugurado Camelódromo, por curiosidade e necessidade, já que tinha umas comprinhas a fazer. "Moça, quê procura? A gente tem tudo", gaba-se o vendedor, com uma lata de Kaiser na mão. Viva a informalidade!
No meu passeio pelo CPC, aprendi que existe um novo termo para produto-pirata: paralelo. Chique, não? “Moça, o original é R$ 40; o paralelo é R$ 20.” Comprar algo “paralelo” até que não parece ruim. “Me dá o original, pra garantir.”
Camelô é tipo shopping, a gente pisa lá e descobre que está precisando comprar milhares de coisas. A vantagem é que, no Centro Popular de Compras, os vendedores se esmeram para vender, se não têm o produto conseguem com o vizinho, sempre dão um jeito e os valores são beeeem mais em conta. Sobre a qualidade... bom, vamos pular essa parte.
Achei o prédio do camelódromo meio inacabado (ou feio mesmo), mas fiquei feliz em ver aquelas pessoas trabalhando com as mínimas condições que um ser humano merece, como teto, por exemplo. Peguei o ônibus e voltei pra casa pensando que, enquanto eles batalham o arroz com feijão de amanhã, o povo da Padre Chagas nem sabe quanto custa um litro de leite. E enquanto uma barriga roncava, eu torrei R$ 25 em um almoço no Riverside’s. Alimentei a engrenagem. Que merda.
Mostrando postagens com marcador culpa burguesa. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador culpa burguesa. Mostrar todas as postagens
quarta-feira, fevereiro 11, 2009
quarta-feira, dezembro 17, 2008
Chega mais, Noel

Caro Papai Noel,
Não sei se fui uma boa menina em 2008. Mas, como eu não sou má pessoa, certamente não provoquei grandes prejuízos à humanidade. Provavelmente tenha sido um pouco egoistinha. É. Talvez tenha brigado mais do que deveria com a minha irmã, com meu chefe, com o namorado. Só que não foram briiiiiiiiiigas homéricas, foram só umas "rosnadinhas". Bem, com a minha irmã foram mais do que rosnadas, mas entre família é assim mesmo que a coisa funciona. Irmão que não briga é um tédio, o senhor sabe. E muita paz faz mal à saúde.
Velhinho, eu chorei um bocado em 2008, principalmente quando passei um mês no Hemisfério Norte tentando entender o idioma que eles falam por lá. Não foi muito produtivo comer porcaria durante 30 dias. E gastei todo o dinheiro da poupança naquelas bandas, mais um bocado do dinheiro da mamãe, tão suado. Me senti egoisitinha. O bom foi que, sofrendo e exercitando o meu lado dramático-nacionalista-xenófobo, esgotei boa parte do estoque de lágrimas, então tenho chorado bem menos, até em épocas de TPM (o namorado agradece). Voltei um pouco adultinha, digamos.
Peço que, em 2009, eu não tenha que me preocupar nem gastar tanto com vazamentos, instalação de ar-condicionado ou conserto do juncker. Foi demais neste ano, o senhor há de convir comigo. Um vazamento no banheiro acabou levando do meu orçamento R$ 500. Consegui comer naquele mês, e olha que nem vendi o corpo. Poupe-me de situações como essa no próximo ano, please. Que os desafios econômicos se restrinjam aos mercados mundiais.

Noelito, estudei menos do que deveria neste ano que se acaba, mas tenho refletido muito sobre em qual curso de pós-graduação devo investir. Prometo concretizar algo em 2009. Eu só tenho 24 anos, vê se dá um desconto.
Agora, o que eu deixei a desejar mesmo foi no quesito "minha contribuição para mudar o mundo". No máximo eu fiz uns discursos por aí, NoelVelho. Ação? Nada. Uma vergonha. Então eu acho que é bem justo tu não caprichar no meu presente, me dar algo bem maisoumenos. Até porque eu ando irritada com essa história de que as pessoas vão gastar uma média de trocentos reais com os presentes de Natal. Economize no meu presente e fuja desta estatística mentirosa, por favor.
Nós dois sabemos que a maioria da população brasileira não tem trocentos reais para queimar em shopping nesta época do ano, aos empurrões e cotoveladas. Essas Câmaras de Dirigentes Lojistas e associações insistem em inventar número que os jornalistas usam em suas matérias mesmo sabendo que tudo não passa de enganação. Vamos lutar contra essa palhaçada, Noelzuco. Juntos.
Então é isso. Você pode me dar um presente meia-boca, porque eu não fiz nada de muito importante para o Planeta em 2008, mas também não me deixa a ver navios, porque eu também não causei grandes prejuízos à humanidade. Com isso a gente boicota as estatísticas, os shoppings e as empresas de cartão de crédito. E no ano-novo estaremos tranqüilos porque não alimentamos o sistema. De repente tomarei uma cidra barata, em uma praia chinela, sem roupa nova nem calcinha amarela! Porque, Noel, em 2009, eu quero simplicidade. Pensar menos em dinheiro e mais em gente. Gastar as minhas energias com o que realmente vale a pena.
Boas Festas e a gente se vê na semana que vem!
Débora Cruz (querendo revolução para 2009).
p.s. Ah, um emprego novo seria muito bem-vindo!
*na foto 1, da esquerda para a direita: Luciana e a boneca nova, meu irmão Júnior, Tio Jorge encarando o disfarce de Papai Noel, meu dindo sentado no chão e eu, acolhida por ele, segurando uma boneca de cabelos azuis, em um dos muitos Natais passados na casa-da-Vó-e-do-Vô.
*na foto 2, Débora Cruz aos 14 anos, fazendo pose junto a ursinhos de pelúcia natalinos em Gramado, faceira na excursão do colégio.
Assinar:
Postagens (Atom)