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terça-feira, maio 05, 2009

Analfabetismo

O povo tem uma idéia ingênua de que jornalista entende de português, é bem informado, sabe muito sobre assuntos diversos. Só que isso não corresponde à realidade dos fatos. As frases mais absurdas que eu ouvi até hoje na vida foram proferidas dentro da redação de um jornal. Por profissionais formados, diplomados. Gente que, supostamente, sabe escrever, lê bastante, interpreta. Tudo bem que os cursos de jornalismo são fracos. Tudo bem que às vezes a gente trabalha tanto que o cérebro pára de funcionar. Mas para certos casos não há desculpa.
A seguir, perguntas surgidas no ambiente de trabalho que eu gostaria de ter sonhado que ouvi:

- A Mangueira desfila no Rio ou em São Paulo?

- Suíça é um estado?

- Case... o que é case?

- “A Bush” leva crase?

- Trinidad Tobago é a capital da Venezuela?

E ainda:

- Tu tem que dizer na tua matéria que o Clodovil, além de deputado, foi estilista.
- Foi? Ah, mas eu não sei nada sobre isso.

Medo. Muito medo.

quinta-feira, março 26, 2009

A cracolândia da Luciana em Torres (e outros assuntos mais)

- Redação?
- Oi. Foi contigo que eu falei antes?
- Olha, imagino que não...
- Sobre a denúncia.
- É. Não foi comigo. O que seria?
- Eu tirei uma foto com o meu celular e quero mandar pra vocês. Quero fazer uma denúncia. Eu acabei de passar na frente do hospital aqui de Torres e tem lixo hospitalar ali na calçada. Um absurdo! Tem cateter, seringa, um monte de coisa. Aí tava escuro, não tinha luz pra tirar a foto, mas eu consegui uma lanterna emprestada com os bombeiros. Liguei pro 190, mas a Brigada disse que não pode fazer nada.
- Como é o teu nome?
- Luciana, de Torres.
- Tá... Luciana, será que tu poderia mandar a foto por e-mail, então?
- O problema é que eu não tenho cabo pra baixar, porque eu ganhei o celular numa promoção da Vivo, sabe? É da LG. Então eu teria que mandar a foto pro celular de alguém aí da redação, entendeu?
- Sei...
- Olha, eu quero fazer essa denúncia, mas os meus créditos vão acabar. Eu não posso ficar gastando.
- Ok, me passa o teu número que eu te ligo.

***

- Alô? Luciana?
- Oi!
- É da redação. Seguinte, não tem como tu mandar a foto por e-mail mesmo?
- Eu não tenho cabo.
- É... aí complica...
- Eu queria muito fazer essa denúncia. Porque é cada coisa que acontece aqui nessa cidade. Olha, nas eleições, o prefeito dava vale-gás pras pessoas pra conseguir voto. E nas carreatas dele só tinha carro com placa de outra cidade. Eu não sou daqui. Aliás, eu e o meu marido só vamos ficar mais um tempo. Mas tá horrível. E o crack? Olha, isso aqui tá a crackolândia! É por tudo essa droga. E se tu fala com a polícia eles dizem que não conseguem nem entrar lá na vila. A minha vizinha...
- Pois é, Luciana, eu te agradeço a ligação, mas...
- Eu amamentei o bebê da minha vizinha, porque ela é drogada, sabe. Tá tudo fora de controle nesta praia. Eles só investem em construção civil, sem licença ambientaaal, claro. É prédio novo pra lá e pra cá (e blábláblábláblá)...
- Sim, as coisas realmente não são fáceis. De qualquer forma, o nosso e-mail, caso tu consiga mandar a foto, é socorromeudeus@chega.com.br (bem que eu queria ter dito isso mesmo). Obrigada pela ligação, Luciana.
- Ah, de nada. Puxa, eu queria tanto fazer essa denúncia sobre o hospit...
- Eu sei. Valeu, então. Tchau.

quarta-feira, janeiro 28, 2009

Em nome do bom senso


Depois de ir a 1.327 formaturas, me sinto capaz de dar algumas instruções.

Convidadas:
Favor evitar decotes-sem-noção, roupas levemente transparentes e vestidos que deveriam ser usados na cerimônia de entrega do Oscar. Fica parecendo que a pessoa não sabe que está em uma universidade ou faculdade.

Formandos:
Para os que têm direito a fazer um pequeno discurso quando pegam o canudo, não é muito interessante começar a fala por: "Em primeiro lugar, eu quero agradecer a minha família...", pelo simples fato de que 85% dos formandos farão o mesmo. Favor evitar frases do tipo: “Agradeço o meu pai, que embora tenha todos os defeitos do mundo...”. É formatura e não lavação de roupa suja.

Oradores:
Peloamordedeus, chega dessa história de: "Quem poderá esquecer das festas na casa da Marcinha? E do mau humor do Gabriel a cada manhã? E quando todos foram mal na primeira prova do primeiro semestre da primeira disciplina de seiláoquê?". Ah, por favor, não citem a "pastelina do bar" como uma das maravilhas dos quatro anos vividos na faculdade.

Nas recepções:
Formandos e pais: Não sabem se têm capacidade para discursar? Não discursem. Será melhor para todos.
Convidados: Têm problemas com bebida liberada? Comam antes de beber sem medida. Nunca é demais lembrar. E comportem-se, principalmente se a sua presença é, de fato, relevante para o evento.

Nos bailes:
Para os homens: Não sabem dançar? Não tentem. Bebam. É isso que as mulheres esperam de vocês mesmo.
Para o DJ: Não é todo mundo aderiu à moda “tecno”. Tunti-tunti pode até tocar, mas não a noite inteira. O mesmo serve para funk e pagode. Hits pré-históricos como Whisky a Go-go não precisam ser lembrados.
Para as mulheres: Mesmo que você tenha bebido todas e não saiba mais em que planeta está, dançar o Créu como se ninguém estivesse vendo é constrangedor para todos. Não precisa.

Por último:
Aproveite tudo porque nenhum segundo vivido e sentido neste dia será vivenciado novamente. É uma vez e deu.