Enquanto ele não gira a chave na ignição e os passageiros não ouvem o barulho do motor, aproveita para puxar conversa, mais uma de tantas, quase sempre começando por “vocês que são jornalistas, me digam o que vocês acham sobre...”. Se o assunto não vinga, ele encontra outro. Ou se mete nos comentários que circulam. Ou larga uma frase solta como “os meus filhos acham que eu sou banco, veja só como estão as coisas, essa garotada...”. Na maioria das vezes encontra um interlocutor disposto a trocar idéias, mesmo que 40% dos passageiros estejam completamente calados, sonolentos e pensando em chegar o mais rápido possível até suas camas. De segunda a domingo, exceto nos dias de folga, ele, cafuzo, cabelo afro, pele morena, olhos puxados, sorriso de Jair Rodrigues (os dentes brancos, parelhinhos e freqüentemente à mostra), tem a incumbência de deixar na porta de casa jornalistas e estagiários que vêem terminar mais um dia de trabalho.
Ele não é “o motorista”. É “o Sandro”. Pode ser que já tenha passado dos cinqüenta anos. Talvez tenha até cinqüenta e cinco, ou seis. O porte físico também se assemelha ao de Jair Rodrigues. Magro, mas nem tanto. Forte, mas nem tanto. Estatura média. O sotaque mostra que do Sul ele não é. Não chia como os cariocas, mas quase chega lá. Talvez por causa vida de caminhoneiro que levava pelo Brasil afora, seu sotaque original de amazonense tenha se diluído, se transformado em um falar híbrido. O fato é que, embora durante muito tempo tenha viajado pelo país, agora está fincado em Porto Alegre, e percorre diariamente um trecho simples. Mas ao mesmo tempo complexo. Tem de lembrar que hoje deve pegar primeiro a Avenida Ipiranga, já que a moça que desce próximo à Bento Gonçalves está de folga. Depois Santana, Venâncio Aires, Lima e Silva, José do Patrocínio. Depois centro, Demétrio Ribeiro e algumas outras. Deve pensar “moram bem esses jornalistas e ainda reclamam”.
Dirigindo, não é o exemplo maior de respeito às regras do trânsito. Tanto que às vezes é xingado por taxistas ou motoristas comuns, após cortar a frente de outro veículo ou fazer ultrapassagens em parte perigosas. Parar no sinal vermelho também não é o seu forte. Mas desde a primeira pessoa que deixa em casa, no bairro Medianeira, até a última, no Petrópolis, percorre com desenvoltura grandes avenidas e ruas estreitas.
No caso das mulheres, ele espera que elas coloquem a chave no portão do prédio. Da mesma maneira que fazem os pais ou tios, que não arrancam o carro enquanto enxergam alguma possibilidade de perigo. O mesmo zelo não é reservado aos homens. Deve pensar “esses se viram por aí”.
Sandro conta histórias. Dá risada. Sorri seu sorriso de Jair Rodrigues, que em alguns momentos chega a irritar de tão faceiro. Gosta de dirigir e de estar entre jornalistas, perto da notícia e das pessoas que a dão forma, tendo entre essas um pequeno poder, o de devolvê-las sãs e salvas às suas casas, aos seus filhos, maridos ou namorados, travesseiros e lexotans. Com um singelo, porém firme, “bom descanso”, às vezes oferecido apenas por educação, e noutras com carga profunda de sinceridade, abençoa quem desce do microônibus e entra novamente em seu mundo particular.
quinta-feira, agosto 17, 2006
sexta-feira, julho 28, 2006
Tens o telefone dele?
Descobri que quero segurar o tempo e entrevistá-lo. Ele faz o que quer com a gente, assim, no mais. Simplesmente não dá. Não é justo. Alguém precisa dar um jeito nisso!
No momento, sinto que preciso congelar o último semestre da faculdade de Jornalismo. As aulas ainda nem começaram e eu já iniciei a listagem mental de tudo que sentirei falta quando a formatura chegar (amigos – conhecidos – aulas legais – aulas chatas – os professores de verdade – o capuccino – a cerveja da sexta-feira à noite). Alguém por aí tem o contato do tempo? Se não tiverem o telefone, pode ser o e-mail mesmo.
No momento, sinto que preciso congelar o último semestre da faculdade de Jornalismo. As aulas ainda nem começaram e eu já iniciei a listagem mental de tudo que sentirei falta quando a formatura chegar (amigos – conhecidos – aulas legais – aulas chatas – os professores de verdade – o capuccino – a cerveja da sexta-feira à noite). Alguém por aí tem o contato do tempo? Se não tiverem o telefone, pode ser o e-mail mesmo.
quinta-feira, julho 20, 2006
A frase
Tudo acaba. Desde o amor até a Varig.
Não podia deixar a frase passar em branco, mas a autoria eu não divulgo.
Não podia deixar a frase passar em branco, mas a autoria eu não divulgo.
quarta-feira, junho 14, 2006
Já que alguns loucos gostaram...
Na disciplina de Produção de Revista, fomos chamados a escrever uma crônica. Tema livre (nada me dá mais medo). Superei a crise de inspiração e cumpri a tarefa. Aí vai o texto me custou uma noite de sono:
O mito da quantificação
Quantas Barbies enfileiradas seriam suficientes para dar uma volta ao mundo? Trezentos e sessenta e cinco miligramas de silicone é muito, bom ou pouco? Quantos casos Deborah Secco teve nos seis meses que antecederam seu namoro com o músico Falcão? Três anos é o tempo que um bom casamento leva para entrar em crise?
Jornais, revistas e internet vomitam diariamente estatísticas, probabilidades, números inutilmente valorizados. E lá vai a sociedade, anestesiada com a enxurrada de informações que recebe, incorporando o mito da quantificação. O amor, o prazer, a dor, a saudade, a angústia, o vazio: tudo é quantificável, medido. A vida é número, acredite! Tudo em cinco vezes sem juros. Desconto de 10% à vista ou no cartão. Tudo por R$ 1,99.
O que dizer do melhor amigo do homem? Sim, o celular. Sem ele ninguém vive. Alguns aparelhinhos luminosos, vibrantes e barulhentos têm capacidade para armazenar 500 números de telefone. Agora, alguém me diz, pra que isso? Providos de calculadora, cronômetro, calendário, despertador, ajudam os pobres mortais a tentar parar o tempo, que escorrega, foge, some. Não existe mais. Passou.
A sensação é de que vivemos numa permanente contagem. E regressiva. Horas, minutos, segundos. O tempo passa cada vez mais rápido. O dia ideal deveria ter, no mínimo, 30 horas. As 24 que temos não dão para nada. O próximo ônibus passa daqui a 15 minutos. Até as duas, mulher não paga. Corra, senão sai mais caro. Calcule, para ver se dá tempo.
Na televisão, mais números. A bolsa de valores, os últimos dados de pesquisas do IBGE, da FEE, do DIEESE, concorrem no quesito relevância com a previsão do tempo, que cada vez ganha mais espaço. Saber as máximas, mínimas e médias do dia é indispensáveis para quem está prestes a pôr o nariz para fora de casa. E se no aconchego do lar não deu para ver que temperatura fazia lá fora, as avenidas das grandes cidades salvam! Informam hora e temperatura exatas. Minutos e graus, perfeito, espetacular.
Números, muitos números, para alimentar uma sociedade na qual as pessoas fingem que somam, que multiplicam, quando na verdade subtraem o que vale à pena. Quantifiquemos, para agüentar viver o “menos pior”.
O mito da quantificação
Quantas Barbies enfileiradas seriam suficientes para dar uma volta ao mundo? Trezentos e sessenta e cinco miligramas de silicone é muito, bom ou pouco? Quantos casos Deborah Secco teve nos seis meses que antecederam seu namoro com o músico Falcão? Três anos é o tempo que um bom casamento leva para entrar em crise?
Jornais, revistas e internet vomitam diariamente estatísticas, probabilidades, números inutilmente valorizados. E lá vai a sociedade, anestesiada com a enxurrada de informações que recebe, incorporando o mito da quantificação. O amor, o prazer, a dor, a saudade, a angústia, o vazio: tudo é quantificável, medido. A vida é número, acredite! Tudo em cinco vezes sem juros. Desconto de 10% à vista ou no cartão. Tudo por R$ 1,99.
O que dizer do melhor amigo do homem? Sim, o celular. Sem ele ninguém vive. Alguns aparelhinhos luminosos, vibrantes e barulhentos têm capacidade para armazenar 500 números de telefone. Agora, alguém me diz, pra que isso? Providos de calculadora, cronômetro, calendário, despertador, ajudam os pobres mortais a tentar parar o tempo, que escorrega, foge, some. Não existe mais. Passou.
A sensação é de que vivemos numa permanente contagem. E regressiva. Horas, minutos, segundos. O tempo passa cada vez mais rápido. O dia ideal deveria ter, no mínimo, 30 horas. As 24 que temos não dão para nada. O próximo ônibus passa daqui a 15 minutos. Até as duas, mulher não paga. Corra, senão sai mais caro. Calcule, para ver se dá tempo.
Na televisão, mais números. A bolsa de valores, os últimos dados de pesquisas do IBGE, da FEE, do DIEESE, concorrem no quesito relevância com a previsão do tempo, que cada vez ganha mais espaço. Saber as máximas, mínimas e médias do dia é indispensáveis para quem está prestes a pôr o nariz para fora de casa. E se no aconchego do lar não deu para ver que temperatura fazia lá fora, as avenidas das grandes cidades salvam! Informam hora e temperatura exatas. Minutos e graus, perfeito, espetacular.
Números, muitos números, para alimentar uma sociedade na qual as pessoas fingem que somam, que multiplicam, quando na verdade subtraem o que vale à pena. Quantifiquemos, para agüentar viver o “menos pior”.
quinta-feira, junho 01, 2006
Resolução inevitável
Depois de começar a rezar para que o semestre acabe de uma vez, resolvi seguir a grande tendência dos alunos da Famecos (segundo Maikio Guimarães): Penso, logo desisto.
sexta-feira, maio 26, 2006
Eu queria ter uma bomba (Cazuza)
Solidão a dois, de dia
Faz calor, depois faz frio
Você diz "já foi" e eu concordo contigo
Você sai de perto, eu penso em suicídio
Mas no fundo eu nem ligo
Você sempre volta com as mesmas notícias
Como alguém escreve isso, assim, no mais?
Faz calor, depois faz frio
Você diz "já foi" e eu concordo contigo
Você sai de perto, eu penso em suicídio
Mas no fundo eu nem ligo
Você sempre volta com as mesmas notícias
Como alguém escreve isso, assim, no mais?
quinta-feira, maio 18, 2006
É própria!
A vida tem uma dinâmica própria, ninguém me convence do contrário. Um dia a gente acorda e mudou de emprego. Outro dia a gente acorda e mudou de casa. E a gente fica feliz, comemora. E a gente bebe. Não adianta fazer o detalhamento dos planos para o ano, o semestre, o mês. Tudo vai acontecer no momento que o universo considerar adequado e conspirar a favor. E ele conspira. Demora, mas conspira. Aí a gente fica feliz, comemora. Aí a gente bebe. Dá a sensação de que dedicação realmente é algo que posteriormente tem reconhecimento, que não existe sorte, mas merecimento sintonizado com o poder dos astros. Tem dinâmica própria sim!
Tradução da divagação acima:
- O “open house” (como diz o meu tio) acontece daqui a um mês;
- Na próxima semana já estarei trabalhando no “melhor jornal do Rio Grande do Sul”.
Tradução da divagação acima:
- O “open house” (como diz o meu tio) acontece daqui a um mês;
- Na próxima semana já estarei trabalhando no “melhor jornal do Rio Grande do Sul”.
sexta-feira, maio 12, 2006
Se a vida dói, drinque caubói!
Troquei de paixão (literária, imaginária, platônica). Chega de Daniel Galera. Bom mesmo é o Xico Sá!
Acessem http://carapuceiro.zip.net
Mas aviso, ele é meu!
Acessem http://carapuceiro.zip.net
Mas aviso, ele é meu!
quarta-feira, maio 03, 2006
Mitos
Ontem à noite, em alguns minutos de conversa com o jornalista Heródoto Barbeiro por telefone, percebi que o mundo não funciona exatamente como eu pensava. Era uma entrevista e, para minha surpresa, ele não tinha todas as respostas para as minhas perguntas. Mas manteve a pose, respondeu só o que quis (parecido com o que alguns políticos fazem, sabe?) e no final disse "um abraço".
O som das duas palavrinhas ecoou no quarto da minha irmã, por causa do viva-voz e da ausência de móveis, claro, e não de efeitos especiais. Fiquei ali parada, refletindo sobre o que o Heródoto tinha dito (e principalmente sobre o que ele não tinha dito). O sentimento foi mais de frustração do que de tarefa cumprida. "O homem não respondeu nada!", pensava eu, transitando entre indignação e raiva.
Sempre tive o hábito de cultivar ídolos intocáveis. Eles lá no alto, eu próxima ao solo. Mas quando esses seres passam a fazer parte do meu mundo real, quando demonstram seu caráter humano, tudo desaba. Perco o chão e também os sonhos. Aí é hora de descobrir outros deuses.
O som das duas palavrinhas ecoou no quarto da minha irmã, por causa do viva-voz e da ausência de móveis, claro, e não de efeitos especiais. Fiquei ali parada, refletindo sobre o que o Heródoto tinha dito (e principalmente sobre o que ele não tinha dito). O sentimento foi mais de frustração do que de tarefa cumprida. "O homem não respondeu nada!", pensava eu, transitando entre indignação e raiva.
Sempre tive o hábito de cultivar ídolos intocáveis. Eles lá no alto, eu próxima ao solo. Mas quando esses seres passam a fazer parte do meu mundo real, quando demonstram seu caráter humano, tudo desaba. Perco o chão e também os sonhos. Aí é hora de descobrir outros deuses.
terça-feira, março 28, 2006
Tudo é uma questão de manter...
Dez cadeiras na Puc, bolsa de iniciação científica, estágio (que inclui trabalhar um final de semana por mês), monografia. Sinceramente, não sei se saio viva dessa. Talvez não faça todos os trabalhos, talvez ignore algumas resenhas. O mais provável é que eu tente fazer tudo e não consiga e fique doente. Por isso já comecei um processo de mentalização. Sei que vou ficar sobrecarregada com o passar dos meses, então é necessário manter a esfera energética equilibrada.
Semana passada, até uma "consulta espiritual" eu fiz. O cara que me atendeu no centro espírita Bezerra de Menezes (kardecista, nada de espiritualismo ou candomblé) parecia o Alberto, da novela A Viajem, que está passando no Vale a pena ver de novo da Globo – parecia no temperamento, na calma, segurança, e não na aparência, né!
Fiquei impressionada com o seguinte: ir lá me fez muito bem, embora minha tendência seja negar. Recuperei parte das energias boas que o meu atual estágio está sugando de mim. Não tive mais pesadelos com "seres de outro mundo". Fiz as pazes com o mundo espiritual. E agora a vida segue...
Semana passada, até uma "consulta espiritual" eu fiz. O cara que me atendeu no centro espírita Bezerra de Menezes (kardecista, nada de espiritualismo ou candomblé) parecia o Alberto, da novela A Viajem, que está passando no Vale a pena ver de novo da Globo – parecia no temperamento, na calma, segurança, e não na aparência, né!
Fiquei impressionada com o seguinte: ir lá me fez muito bem, embora minha tendência seja negar. Recuperei parte das energias boas que o meu atual estágio está sugando de mim. Não tive mais pesadelos com "seres de outro mundo". Fiz as pazes com o mundo espiritual. E agora a vida segue...
terça-feira, março 07, 2006
Guia do Jornalismo na Internet
Para os interessados no assunto, há um Guia de Jornalismo na Internet no site da Universidade Federal da Bahia. O trabalho é resultado de um projeto de pesquisa de um aluno. Bem interessante. Segue o link:
Online II Noite
Online II Noite
sexta-feira, março 03, 2006
Resumo do Carnaval
Guarda do Embaú, acampamento, camping horrível, banheiro sujo.
Sol de rachar todos os dias, banho de mar, peixinhos, canoas que levam até a praia (altamente ecológico e apaixonante), muito protetor solar, couro cabeludo queimado, Paulo Zulu. Skol, o sol na barraca, a sombra ao lado, os agrados do Daniel. Peixe frito, ensopado, grelhado, pouco camarão, saladas, doces.
Posso dizer que gostei.
Sol de rachar todos os dias, banho de mar, peixinhos, canoas que levam até a praia (altamente ecológico e apaixonante), muito protetor solar, couro cabeludo queimado, Paulo Zulu. Skol, o sol na barraca, a sombra ao lado, os agrados do Daniel. Peixe frito, ensopado, grelhado, pouco camarão, saladas, doces.
Posso dizer que gostei.
domingo, janeiro 15, 2006
Se isso é vida...
No momento, completamente confusa, completamente sem rumo, completamente sem vontade. Ares de depressão em pleno mês de janeiro é algo grave. Gravíssimo.
O calor tem me tirado as forças. O trabalho tem feito eu me enxergar na mais pura mediocridade. Na vida sentimental, não me reconheço. Fracassei ao tentar cumprir as metas metodicamente estabelecidas. Tive a confirmação de que a gente não controla a vida (embora quase sempre consiga controlar as pessoas).
Para dar plena legitimidade à fase decadente, estou tomando uma Bavária que meu pai colocou no congelador.
O que há com o meu mundo?
O calor tem me tirado as forças. O trabalho tem feito eu me enxergar na mais pura mediocridade. Na vida sentimental, não me reconheço. Fracassei ao tentar cumprir as metas metodicamente estabelecidas. Tive a confirmação de que a gente não controla a vida (embora quase sempre consiga controlar as pessoas).
Para dar plena legitimidade à fase decadente, estou tomando uma Bavária que meu pai colocou no congelador.
O que há com o meu mundo?
terça-feira, janeiro 10, 2006
A vagabundagem acabou
O perído de férias forçadas chegou ao fim. Amanhã começo a trabalhar para o Rigotto (quem diria). Estou pensando em incorporar o discurso da Cristiane Finger: "Estou vendendo a minha força de trabalho, e não a minha ideologia". Será que cola?
Velhice
Estou velha. Caí da escada ontem. Isso que moro no 2º andar, veja que descuido. Estou velha. Caí e fui quicando ao longo de alguns degraus. Patético. Estou velha. Esfolei o tornozelo, machuquei o braço. No dia seguinte, acordei com dor na bunda, mal podia sentar. O tombo deixou sequelas. Relamente estou velha.
sábado, janeiro 07, 2006
Poesias do "Canha"
O que o ser humano não acaba fazendo por uns trocados...
De férias forçadas, agradeci a Deus por ser "contratada" para digitar um livro de poesias. O nome do autor: João Canha. Sim, é isso mesmo. Abaixo reproduzo uma das poesias do Canha. É de chorar (interprete como quiser).
Sou eu
Este poema sou eu
Energizado em versos:
Muita ternura; muito amor...
Mas doador eterno
Como todo poeta.
Sou eu nas controvérsias
De meus próprios sonhos!...
Fantasma de meus próprios passos
Em debandadas fantasias...
Mas doador e carinhoso como sempre.
Sou eu dentro da loucura
Estranha de mim mesmo!...
Que sem ser submisso conseguiu
Subir; descer; mas permanecer
No invólucro inviolável do meu ser!
De férias forçadas, agradeci a Deus por ser "contratada" para digitar um livro de poesias. O nome do autor: João Canha. Sim, é isso mesmo. Abaixo reproduzo uma das poesias do Canha. É de chorar (interprete como quiser).
Sou eu
Este poema sou eu
Energizado em versos:
Muita ternura; muito amor...
Mas doador eterno
Como todo poeta.
Sou eu nas controvérsias
De meus próprios sonhos!...
Fantasma de meus próprios passos
Em debandadas fantasias...
Mas doador e carinhoso como sempre.
Sou eu dentro da loucura
Estranha de mim mesmo!...
Que sem ser submisso conseguiu
Subir; descer; mas permanecer
No invólucro inviolável do meu ser!
terça-feira, dezembro 13, 2005
Choques no estômago
Sabe aquelas histórias bizarras que tu lembra e pensa: “Não pode ter acontecido comigo, é ficção!”. Pois é, não sei por que, mas lembrei de uma delas hoje, às 13h, quando voltava do RU da Ufrgs. Caminhando na Osvaldo Aranha, busquei em alguma prateleira empoeirada do cérebro a história de amor mais novelesca que já vivi. Foi trágica e ao mesmo tempo cômica. Um amor de verão aos 13 anos. Ele tinha 15 ou 16. Lembro que ninguém deu bola. Todo mundo achou que era coisa de um verão só. A paixão pelo cara durou mais de dois anos. E a praga não valia nada, isso eu sempre soube. Mas caí no pensamento conformista de achar que eu fazia parte de uma facção da família que tinha “dedo podre pra escolher homem”. Então me resignei a sofrer por amor. Nos conhecemos na praia e, obviamente, éramos de cidades diferentes. Ô sina de ser guaibense. O moço era da Capital. No início eu até era correspondida, mas depois de um certo tempo o “elemento” simplesmente sumiu. Tudo bem, eu até era bonitinha, não tinha as gorduras acumuladas que tenho hoje. Bons tempos aqueles. No entanto, é importante dizer que eu estava na 8ª série, ainda não bebia cerveja, nem saía à noite. Nem é preciso tocar no assunto virgindade... O cara não agüentou muito tempo aquele romance via telefone, correspondências (na época não havia e-mail) e alguns encontros no shopping. Aí foi cada um prum lado, viver a sua vida. Mas era só chegar o verão que eu já começava a sentir “choques no estômago”. Era como eu chamava o meu nervosismo! Ir para a casa da praia me fazia ter os tais choques no estômago. Vê-lo então, nem se fala! E depois de um ano sem se ver, a gente se encontrava com aquele cenário praiano ao fundo e era como se o tempo não tivesse passado. Beijo pra lá, declarações pra cá.
Olha, essa história se repetiu alguns verões, até eu ver que não podia ficar um ano inteiro sonhando com uma semana de paixão correspondida em janeiro. Mesmo porquê, o elemento morava em Porto Alegre, e não em Minas Gerais. Se não ia me ver era porque não estava afim. Me curei dessa doença e fui viver. Cá estou. Ainda bem.
Olha, essa história se repetiu alguns verões, até eu ver que não podia ficar um ano inteiro sonhando com uma semana de paixão correspondida em janeiro. Mesmo porquê, o elemento morava em Porto Alegre, e não em Minas Gerais. Se não ia me ver era porque não estava afim. Me curei dessa doença e fui viver. Cá estou. Ainda bem.
quinta-feira, dezembro 01, 2005
domingo, novembro 20, 2005
Consciência tranqüila
MAIS DE DUZENTOS ESTUDANTES DA PUC FIZERAM UM PROTESTO ONTEM À NOITE./ ELES PERCORRERAM O CAMPUS COM FAIXAS CONTRA O AUMENTO DAS MENSALIDADES, PREVISTO PARA O PRIMEIRO SEMESTRE DO ANO QUE VEM./ OS ALUNOS TENTARAM INTERROMPER O TRÂNSITO NA AVENIDA IPIRANGA, MAS FORAM IMPEDIDOS PELA BRIGADA MILITAR./
Era mais ou menos assim que começava a nota coberta cujo texto escrevi na manhã de 18 de novembro para ser veiculada na TV Foca um dia após a manifestação ocorrida no Campus da Puc contra o aumento das mensalidades.
Saí da aula de Rádio por volta das 21h30min. Dei de cara com a manifestação. Vi um dos cinegrafistas da TV Foca filmando o acontecimento e pensei: “Nota coberta para o jornal de amanhã!”. Para ajudar, eu era a editora-chefe da semana. Acompanhei o desenrolar do protesto: tentativa de parar a Ipiranga, Brigada a postos, gritos de “educação não é mercadoria”. Peguei as informações com uma das organizadoras do ato. Entrei no Universitária e fui pra casa pensando que a nota iria entrar no telejornal, que não haveria censura, afinal de contas o assunto era de interesse da comunidade acadêmica.
Quem disse que não vale a pena tentar?
Primeiramente tentaram impedir que usássemos as fitas com as imagens. Disseram que elas foram feitas à pedido da Prefeitura Universitária para serem usadas, se necessário, pela Reitoria. Batemos o pé. A redação inteira se mobilizou a favor da tal nota coberta. Não se sabe como, mas uma das fitas acabou parando nas mãos da Geovana, editora naquela semana. Gravei o off e ela editou. A nota estava pronta. A proibição continuava de pé. Nossa última alternativa era recorrer à chefe maior, Cristiane Finger. Estávamos preparados para ouvir um não. Tinha imaginado ela dizendo que o Reitor mandaria ela pra rua se permitisse a veiculação das imagens.
Qual não foi a minha surpresa quando, relatando pra ela o que estava acontecendo e quais eram as nossas (minhas) pretenções, escuto: “Eu quero ver o texto”. Gelei e entreguei meus humildes escritos. “Vou falar com o Jerônimo (Diretor da Famecos)”. Não acreditei! Eu achando que a louca ia vetar de cara e ela foi comprar briga para veicularmos o protesto. A tal nota coberta foi ao ar na última TV Foca em que fui editora-chefe. Me senti jornalista. Acompanhei o fato. Barganhei para que fosse incluído naquela edição do telejornal. Pela primeira vez teve ameaça de censura naquela redação. Teve apreensão, nervos à flor da pele, calor, medo e coragem. Por uma notinha de alguns segundos e meia dúzia de imagens me deu vontade de dizer que se não colocassem aquilo no ar, eu pediria demissão. Era, talvez, uma das pautas mais relevantes do semestre. E foi ao ar. Dever cumprido.
Era mais ou menos assim que começava a nota coberta cujo texto escrevi na manhã de 18 de novembro para ser veiculada na TV Foca um dia após a manifestação ocorrida no Campus da Puc contra o aumento das mensalidades.
Saí da aula de Rádio por volta das 21h30min. Dei de cara com a manifestação. Vi um dos cinegrafistas da TV Foca filmando o acontecimento e pensei: “Nota coberta para o jornal de amanhã!”. Para ajudar, eu era a editora-chefe da semana. Acompanhei o desenrolar do protesto: tentativa de parar a Ipiranga, Brigada a postos, gritos de “educação não é mercadoria”. Peguei as informações com uma das organizadoras do ato. Entrei no Universitária e fui pra casa pensando que a nota iria entrar no telejornal, que não haveria censura, afinal de contas o assunto era de interesse da comunidade acadêmica.
Quem disse que não vale a pena tentar?
Primeiramente tentaram impedir que usássemos as fitas com as imagens. Disseram que elas foram feitas à pedido da Prefeitura Universitária para serem usadas, se necessário, pela Reitoria. Batemos o pé. A redação inteira se mobilizou a favor da tal nota coberta. Não se sabe como, mas uma das fitas acabou parando nas mãos da Geovana, editora naquela semana. Gravei o off e ela editou. A nota estava pronta. A proibição continuava de pé. Nossa última alternativa era recorrer à chefe maior, Cristiane Finger. Estávamos preparados para ouvir um não. Tinha imaginado ela dizendo que o Reitor mandaria ela pra rua se permitisse a veiculação das imagens.
Qual não foi a minha surpresa quando, relatando pra ela o que estava acontecendo e quais eram as nossas (minhas) pretenções, escuto: “Eu quero ver o texto”. Gelei e entreguei meus humildes escritos. “Vou falar com o Jerônimo (Diretor da Famecos)”. Não acreditei! Eu achando que a louca ia vetar de cara e ela foi comprar briga para veicularmos o protesto. A tal nota coberta foi ao ar na última TV Foca em que fui editora-chefe. Me senti jornalista. Acompanhei o fato. Barganhei para que fosse incluído naquela edição do telejornal. Pela primeira vez teve ameaça de censura naquela redação. Teve apreensão, nervos à flor da pele, calor, medo e coragem. Por uma notinha de alguns segundos e meia dúzia de imagens me deu vontade de dizer que se não colocassem aquilo no ar, eu pediria demissão. Era, talvez, uma das pautas mais relevantes do semestre. E foi ao ar. Dever cumprido.
quarta-feira, novembro 02, 2005
De saco cheio
Acho que enchi o saco dessa história de escrever em blog. Não que eu tenha produzido muito nos últimos tempos, claro que não. Talvez esteja precisando de um motivo.
Mas a questão é que ando meio sem vontade. Meio perdida com a partida da Tatiana Lemos. Abalada. Com medo de como será o verão sem as loucuras da Tati, sem excursões pós-modernas.
Mas a questão é que ando meio sem vontade. Meio perdida com a partida da Tatiana Lemos. Abalada. Com medo de como será o verão sem as loucuras da Tati, sem excursões pós-modernas.
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